1 ano no exterior, o que aconteceu até aqui?

Queridos gafanhotos, estamos de volta!

Er, quer dizer, estamos voltando… assim, aos poucos… mas tá indo.

O que dizer sobre esse 1 ano estudando no exterior que passou tão rápido mas já considero pacas? Bom, passou rápido mesmo. Passou tão rápido que é quase inacreditável. A gente chega achando que nesse primeiro ano vai fazer mil coisas, começar um projeto para mudar o mundo, criar algo revolucionário, descobrir a cura de alguma doença… mas não. A gente chega, e senta a bunda na cadeira para ter aulas. Não me levem a mal, minhas aulas até agora foram espetaculares, e tenho certeza que os meus companheiros de equipe irão dizer o mesmo sobre as deles. Vou contar um pouco sobre a minha experiência, e saibam que dependendo do curso e da Universidade, isso pode variar.

Aqui na Tulane University eu preciso estar matriculada em 12 créditos por semestre para ser considerada aluna Full Time. Isso equivale a 4 matérias de 3 créditos. Então nesses 2 semestres eu completei 8 matérias, ou 24 créditos. Para me formar eu preciso completar 54 créditos, o que dará mais 2 semestres com 4 matérias cada e um outro semestre exclusivamente para Gross Anatomy. Para aqueles que não sabem eu estudo Physical Anthropology, com ênfase em Forensic Anthropology.

Objeto do meu trabalho cursando Forensic Anthropology

Além das 4 matérias cursadas eu também sou RA (Research Assistant). Ou seja, além de estudar para as minhas aulas diárias, eu também faço horas de pesquisa no laboratório. Se eu pudesse resumir os meus dias seria: chegar para as aulas as 9h e sair da Universidade as 17h, chegar em casa e continuar trabalhando. Obviamente esse é o MEU horário, isso varia muito dentre todos os alunos de outras Universidades e inclusive dentre meus próprios colegas de departamento. Eu, por exemplo, gosto de acordar cedo (5:30h) para afazeres saudáveis (leia-se ir para a academia para não virar uma bola), gosto de tirar uma soneca à tarde, e muitas vezes prefiro escrever projetos, papers e estudar a noite. Mas novamente, isso funciona pra mim, e cada um tem a sua maneira de se organizar (para dicas de organizacao entre neste link)

Como eu ia dizendo, aulas e laboratórios enchem o meu dia, mas eu ainda preciso de tempo para: estudar, comer, escrever, pesquisar e um tempo para não pensar em nada porque ninguém é de ferro. Minha experiência com as aulas foram excelentes. Além de professores extraordinários, eu tive ótimos colegas de classe. Aqui na Tulane muitas das classes são uma mistura de Undergrads e Graduate students (entre neste link para entender a diferenca), porém, algumas coisas são diferentes, como por exemplo, nós Graduate students temos uma sessão de discussão de artigos após as aulas (inclua isso no seu dia), onde devemos ler um determinado artigo antes da discussão e o apresentamos para o resto do grupo. Também devemos escrever um Final Research Paper, que aqui na Tulane varia entre 15 e 20 páginas, o que é quase um projeto: escolhemos um tema, colocamos uma tese, e tentamos prová-la ou refutá-la com base na literatura e pesquisa própria. Eles geralmente devem ser entregues no último dia de aula e valem uma grande parte da nossa nota, em torno de 30%. O resto fica distribuído entre provas (sim, 3 provas), participação, discussão dos artigos e alguns outros mini testes.

Meus momentos de não pensar em nada se resumem geralmente a um dia, ou sexta a noite, ou sábado. É quando eu tiro tempo para ver os meus seriados favoritos, sair com os amigos, ou para ler qualquer coisa não relacionada ao meu curso ou minhas aulas. Anotem: ISSO É NECESSÁRIO! É preciso ter um dia de descanso e, sabendo se organizar, dá pra fazer tudo sem peso na consciência.

Vivendo em New Orleans o que não me falta são coisas para fazer. A cidade ferve todos os dias da semana. As pessoas são amigáveis e prestativas, o clima é agradável na maior parte do tempo (exceto no verão, verão aqui é insuportável). O meu departamento, Department of Anthropology, é bastante unido, professores e alunos se dão super bem e inclusive fazem social juntos. Temos algumas festas que envolvem ver o seu orientador fantasiado de Malévola (er, Halloween), e muitas outras coisas mais. Fiz grandes amigos aqui, e tenho certeza que isso me ajudou bastante durante todo esse ano que passou. Meus amigos Abroaders também têm um espaço importante nesse trajeto todo, sempre nos falamos e compartilhamos aflições e conquistas. As pessoas ao meu redor fizeram esse 1 ano ser o mais proveitoso possível.

TL;DR: Apesar de ter uma carga enorme de aulas, pesquisa e estudos, eu só tenho a agredecer por tudo o que aconteceu nesse 1 ano que passou. A quantidade de conhecimento que eu adquiri é imensurável e as minhas aulas, assim como pesquisas, foram extraordinárias. Mesmo com um calendário cheio de tarefas, preciso de um dia para relaxar, e ter um círculo de grandes amigos com certeza me ajudou nisso tudo.

Logicamente, isso nunca seria possível sem a bolsa do CsF, e se você quer ter essa oportunidade, leia o nosso site e descubra o que fazer e como se preparar para se candidatar ao Doutorado.

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