Etiqueta em comunicações virtuais no ambiente acadêmico estrangeiro

Olá pessoal! Tudo bem? Este post trata de um assunto que pode parecer um tanto quanto simplório, mas que faz toda a diferença para estudar no exterior: etiqueta virtual. Tentarei ser breve e oferecer dicas práticas para você que está no início do processo de inscrição, tentando contatos com possíveis orientadores e colegas de pesquisa.

Indo direto ao ponto: brasileiros são um tanto quanto diretos ao escrever emails, até diretos demais, muitas vezes. Na troca de emails com estrangeiros, faça uma força extra para demonstrar boas maneiras, especialmente para com pessoas que você desconhece pessoalmente. Após escrever o email, releia todo o texto e dedique alguns minutos a mais para trabalhar nas introduções e despedidas, assim como no assunto do email — existem milhares de tutoriais online sobre como escrever mensagens, cartas, emails! Desde que cheguei nos Estados Unidos, observei que isso é mais valorizado do que eu imaginava. Depois de quase um ano vivendo aqui, já me acostumei e agora para mim é natural escrever assim. Porém, frequentemente recebo emails ou mensagens no Facebook de brasileiros com questões sobre estudar no exterior e fico surpreso com a falta de cuidado na escolha das palavras. Busquei no meu próprio histórico de emails para ver se eu também escrevia daquela forma e confesso que eu cometia os mesmos erros! Seguem dois maus exemplos:

Eu queria saber como é o ensino, o alojamento,  alimentação,  enfim,  como as coisas ocorreram pra vc.

Assim mesmo, sem saudação, sem tchau, sem clareza sobre as dúvidas.

Aee kra
queria saber se tu pode ajudar com a mina ideia de estuda ae na sua uni
fiquei sabeno que Seattle eh legal que tu axa dai?
Flww mano

Sem comentários.

 

Claro que nem todos os brasileiros tem maus costumes ao escrever emails. Abaixo, um ótimo exemplo. (Meus comentários sobre os acertos do interlocutor estão em verde após as sentenças)

Olá Lucas, tudo bem? — 1. Uma saudação simples e amistosa.

Sou aluno de doutorado em {Programa} da {Universidade Federal de Tangamandápio}. Estou entrando em contato, pois vou passar um ano na Universidade de Washington. — 2. A apresentação, básica entre pessoas que não se conhecem.
Gostaria de saber se você pode tirar algumas dúvidas, como por exemplo:  consegue viver com {9999} dólares em Seattle? E se for duas pessoas? Aluguel é caro? Tem que morar perto da universidade ou existem bairros mais estratégicos? Esses tipos de dúvidas iniciais mesmo. — 3. Enumeração clara dos tópicos de interesse. Assim eu sei como responder rapidamente as dúvidas do interlocutor.

Desde já agradeço muito a sua atenção. — 4. Agradecimentos sinceros ao final.

Abraço! — Não é comum, pelo menos aqui nos EUA. Eu seria mais conservador, usando um “Sinceramente”.

PS. Desculpe pelo incômodo, mas acredito que passou pelo o mesmo que estou passando. — 5. Apresentou boa educação, sensibilidade e empatia para com a minha pessoa.

* Email editado para proteger a identidade do interlocutor.

 

Algo interessante que esta mensagem demonstra: talvez por também ser um estudante de doutorado, ele sabe que não tenho muito tempo disponível para gastar com trocas de email, especialmente  inesperados. Não tenho tempo alocado no meu calendário para escrever emails para desconhecidos! Ou seja: não conclua que todas as pessoas estão disponíveis para lhe responder. Mais uma razão para escrever o email com cuidado. Listo mais algumas dicas:

  • Não use expressões informais, muito menos gírias.
  • Apresente as suas dúvidas de forma clara . As pessoas geralmente escaneiam a parte central do email buscando perguntas que possam ser respondidas rapidamente.
  • Quando obter uma resposta, não esqueça de agradecer em um email subsequente.
  • Mencione que conhece o trabalho do professor ou do colega pesquisador. Faça seu dever de casa e pesquise!
  • Revise a gramática! Várias vezes.

 

Algumas dicas específicas para a busca de orientadores:

  • Dirija-se ao professor como Dr. {Sobrenome}
  • Agradeça antecipadamente pela atenção
  • Demonstre-se disponível para uma entrevista, já apontando dias e horários possíveis (não esqueça de pesquisar o fuso horário correto)
  • Termine o e-mail com “Sincerely, {Nome e Sobrenome, Universidade, Cidade/País}

 

Essas dicas simples podem fazer a diferença na primeira impressão que você deixará em um possível futuro orientador. Pratique a gentileza! Ela muda a percepção sobre as pessoas, para melhor.

Duas últimas observações:

Não confunda gentileza com falta de objetividade. Emails muito longos podem ser ignorados. Busque um equilíbrio! É possível ser educado e direto ao mesmo tempo.

E não se esqueçam: professores são muito atarefados. Se você não obtiver uma resposta em uma semana, reencaminhe o e-mail. Reitere seu interesse em manter contato ou pergunte sobre outros professores que possam se interessar em estabelecer uma relação.

O Abroaders disponibiliza um documento com alguns exemplos de e-mail para o primeiro contato com um futuro orientador, para acessá-lo basta clicar aqui.

 

Se você tiver mais sugestões, por favor compartilhe nos comentários!

Obrigado pela atenção. Boa sorte em suas incrições e pesquisas.
–Lucas Colusso

 

Ps.: Obrigado à Equipe Abroaders (especialmente à Ugo Bruzadin e Pedro Menchik) pelas adições e sugestões.

Calculadora de GPA. De nada!

Ladies and gentlemen,

Tenho o prazer de apresentar a incrível, estupenda, fenomenal Calculadora de GPA Tabajara, ops, do Abroaders! Mais uma vez facilitamos a sua vida e disponibilizamos a calculadora logo aqui em cima, na barra superior do site.

calculadora

 

OBS.: Se você ainda não sabe o que é GPA, volte duas casas e leia esse excelente post escrito pela Mel que explica direitinho o que é essa peste.

Usar a calculadora é muito simples. Se você sabe ler, não terá problemas para preencher. Me sinto didática hoje então darei um mini tutorial de qualquer forma.

  1. Insira a nota que você tirou em cada matéria, de 0 a 10, no campo NOTA.
  2. Insira a quantidade de créditos, ou horas (vulgo carga horária), de cada matéria no campo CRÉDITOS.
  3. Coloque o seu e-mail e o seu nome para que nós possamos mandar coisas úteis e bacaninhas para você no futuro.
  4. Para inserir linhas adicionais, clique no símbolo de adição verde.
  5. Finalize clicando em CALCULAR.

Calculadora_GPA_Abroaders

É isso! A maioria das universidades não exige um documento oficial com o GPA. Porém, exigem o histórico escolar que irá comprovar as notas e a carga horária de cada matéria.

Fique ligado nas dicas do Abroaders e não pague mico!

Mico

 

E-book: GRE Detonado!!! Todas as dicas para você vencer este chefão!

Boa noite, #teamAbroaders!!!

Vamos falar sobre GRE?? É um daqueles exames necessários que você tem que fazer para conseguir sua pós-graduação em alguns países (como os EUA, por exemplo). É bastante importante e pode ser o seu pior pesadelo ou um excelente critério de desempate – ao seu favor! Tudo depende de como você se prepara para ele.

Quer saber mais?

Temos um e-book saindo do forno para vocês!!

Baixe o GRE Detonado clicando na imagem acima!
Baixe o GRE Detonado clicando na imagem acima!

“O Prostituto de Universidades”: conheça a história de Marcelo Leitão e suas candidaturas a pós-graduação no exterior

Ele se inscreveu para dois mestrados, um doutorado e um mestrado profissional, em três países diferentes, em quatro universidades, de uma só vez. Ganhou o apelido peculiar de Prostituto de Universidades e quase foi acusado de vender a alma ao Diabo. Quer saber no que deu? Com vocês, Marcelo Leitão, o arquiteto cearense que gosta de viver fortes emoções!

Desde o começo da minha graduação eu já tinha uma certeza: “eu quero estudar fora!”… Mas como eu conseguiria isso? Essa era a grande pergunta! Um dia eu parei e percebi que conhecia várias pessoas bem mais capacitadas do que eu, com um currículo e desempenho exemplar, mas pela falta de um simples quesito, a proficiência em uma língua estrangeira, não tinham nem chances de ao menos de participar de um processo seletivo. Logo, desde o inicio da minha graduação eu busquei aprender o máximo possível, pois cada língua é um leque de oportunidades que se abre na sua vida!

Marcelo em Wisconsin, nos EUA, durante seu intercâmbio!
Marcelo em Wisconsin, nos EUA, durante seu intercâmbio!

Após finalizar a minha graduação e ainda com foco nesse objetivo, tomei uma decisão difícil e fui contra todos os “bons conselhos”: larguei tudo no Brasil e fui para o exterior em busca de proficiência em alguma língua. Um ano depois, Maio de 2013, retorno ao Brasil, mas com planos de aplicar apenas no ano seguinte (em 2014 para ir no ano de 2015). Senti que ainda não estava pronto, que precisava pesquisar mais sobre o assunto, ganhar experiência e outras coisas… Até receber a ligação de um professor da faculdade.

– “Marcelo, tudo bem? Faz dois meses que estou tentando falar com você e não consigo. Precisamos resolver a sua pós-graduação!” falou o meu professor.

Confesso que naquele momento eu me animei bastante!, Mas logo em seguida bateu o medo e o sentimento “não estou preparado”. Conversei mais um pouco com o meu professor e acabei seguindo o seu conselho:

– “Você já tem toda a documentação? Tente, pois na pior das hipóteses, você ganhará pelo menos a experiência.”

E assim eu o fiz. Quase nos 45 minutos do segundo tempo (Agosto/2013) eu resolvi tentar, e se era para tentar, que fosse para valer a pena. Apliquei para 4 bolsas de estudos e a partir daquele momento eu estava mais conhecido entre meus amigos como “prostituto de universidade”: a que pagasse, eu iria! As bolsas foram:

  • PhD nos Estados Unidos pelo Ciências sem Fronteiras Capes/Laspau
  • Mestrado em Arquitetura na Alemanha pelo DAAD
  • Mestrado na Inglaterra pelo Consulado Britânico (Bolsa Chevening)
  • Mestrado Profissional nos Estados Unidos pelo Ciências Sem Fronteiras Capes/IIE

Foi um processo longo e bem estressante. Administrar uma candidatura de bolsa de estudos é difícil, imagina quatro? Devo ter sofrido alguns pequenos infartos no processo, mas sobrevivi e agora é só felicidade! (ops, spoiler). Todos os processos foram simultâneos, mas para facilitar, o processo, contarei em tópicos individuais:

 

1. PhD nos Estados Unidos pelo Ciências sem Fronteiras Capes/Laspau

Esta bolsa era (o que eu achava ser) o meu sonho. Foi o processo mais longo, caro e estressante, mas certamente o que me deu experiência para obter sucesso nos outros. As principais dificuldades no inicio foram a falta de informação e o tempo curto para finalizar tudo. Eu tinha menos de 1 mês para juntar toda a papelada, traduzir documentos, escrever plano de estudos e descobrir o que era o GRE, mas graças a ajuda de alguns santos (dentre eles estão alguns dos integrantes da equipe Abroaders) eu consegui enviar tudo a tempo.

Algo que me desmotivou bastante no início do processo foi a pequena quantidade de universidades que eu poderia me candidatar. Essa restrição se deu basicamente por três motivos: o meu tema é bem específico e poucas universidades oferecem pós-graduação nessa área, Building Science, focando em Sustentabilidade e Eficiência Energética em Arquitetura; eu não possuo título de mestre e boa parte dessas universidades pedia mestrado para ingressar no doutorado; e a minha pontuação do TOEFL era de 92 pontos (22/24/22/24), e boa parte das universidades que ofertam pós na minha área pediam 100 pontos. Quando me deparei com todas essas questões, percebi que o sonho não seria tão fácil quanto eu imaginava, mas essa não era hora para desistir e eu precisava fechar meu submission plan.Nadar para morrer na praia não é o meu lema!

No final das contas, o meu submission plan acabou ficando com apenas três universidades. Eu queria ter aplicado para Berkeley e Virginia Tech, apenas! Mas como eu havia entendido que precisava tentar pelo menos três, acabei adicionando Texas A&M, mesmo não sendo bem na minha área.

Um dia, estou no trabalho e recebo um e-mail muito gentil de Berkeley avisando que, infelizmente, eles não poderiam me oferecer uma vaga, que eu não ficasse triste, que o problema não era eu, mas o alto nível da concorrência. Eu, por desencargo de consciência, entrei no site do GradCafe e fui conferir o nível da pessoa que tinha sido aceita. Ela apresentava pelo menos (estratosféricos) 90% em cada quesito do GRE… acho que realmente ela merecia! hahaha

Algumas semanas depois eu recebi a carta de concessão da bolsa! Foi um alívio muito grande, pois pelo curtíssimo tempo que tive para montar o plano de estudos, não achei que seria concedida. Isso me fez acreditar que talvez o sonho ainda fosse possível. Ainda naquela semana, recebi o “não” de Virginia Tech, algo já esperado, pois eles aceitam de 1 a 2 estudantes de PhD na minha área por ano.

E para finalizar, fui aceito na Texas A&M! Mas, em meio a toda essa supressa, só me restavam dúvidas: Estou preparado para um Doutorado direto da graduação? Texas A&M não tem foco na minha área, vale a pena? Onde eu fui arrumar esse sonho?

No final das contas, acabei negando a oferta e abri mão da bolsa de Doutorado direto. O PhD é uma coisa muito séria, que exige muita dedicação e não valeria a pena fazer “de qualquer jeito”. Foi uma decisão bem difícil, pois até aquele momento eu não tinha nenhuma garantia de outra bolsa ou aceite de universidade, mas era o mais certo a ser feito.

A grande lição de tudo isso foi que sim, é possível conseguir a tal “lenda do doutorado sem mestrado”, mas nem sempre isso será o melhor para você! E como conselho, mesmo sem ter certeza do que você quer, tente e depois que você tiver o aceite você decide.

 

2. Mestrado em Arquitetura na Alemanha pelo DAAD

Quando eu me candidatei a essa bolsa eu estava me achando, crente que ia conseguir! Tinha tudo para dar certo, pois ela era exclusiva para arquitetura, e muitas pessoas por acreditarem que precisa falar alemão, deixam de tentar, reduzindo ainda mais a concorrência. O processo foi bem simples e de fase única. Mandei um pacote de 3kg de papel pro DAAD no Rio de Janeiro, que seria reencaminhado para Colônia, na Alemanha.. depois disso era só sentar e esperar. Até que um dia recebi uma ligação da minha mãe:

– “Filho, chegou aqui uma carta de um tal de DAAD para você..”

– “Mãe, isso é a resposta da minha bolsa! O pior é que não adianta nem eu pedir para abrir, pois a senhora não entenderá nada…”

Momentos de tensão até eu chegar em casa e ler um educado “Nein, nein, nein!”

Moral da história: Sabe de nada, inocente!

PS.: Foram 341 candidatos do mundo todo e 37 selecionados.

Marcelo, na Alemanha. "Existem muitos muros a desconstruir", diz a frase no muro (segundo ele, é claro, eu não falo alemão! rs)
Marcelo, na Alemanha. “Existem muitos muros a desconstruir”, diz a frase no muro (segundo ele, é claro, eu não falo alemão! rs)


3. Mestrado na Inglaterra pelo Consulado Britânico (Bolsa Chevening)

Eu fiquei sabendo dessa bolsa de estudos bem em cima do deadline, algo como um pouco mais de uma semana antes, mas como o processo é todo on-line, bem simples e eu já tinha toda a documentação, por que não tentar? Estudar na Bartlet School – University College of London era um sonho e eu jamais pensei que teria essa oportunidade um dia. A bolsa é extremamente concorrida, algo como 28 mil candidaturas no mundo inteiro, aproximadamente 3 mil só no Brasil. Comparando com a bolsa da do DAAD, só um milagre para eu conseguir!

Novamente, tive uma surpresa, mas desta vez foi boa! O consulado britânico quase me matou do coração, pois enviou um e-mail 7hrs da manhã me parabenizando, mas apenas 30 minutos depois um outro e-mail pedindo para desconsiderar o e-mail anterior. Fiquei horas sem respostas e sem saber se aquilo era uma pegadinha… tentei contato com os responsáveis, mas me foi dito que eles estavam tendo dificuldades em gerenciar as informações, que eu deveria esperar e seguir pensando positivamente. No final de um longo dia, chega um terceiro e-mail convocando novamente para a entrevista! Neste momento, mesmo sabendo que nada era certo ainda, foi só alegria, pois um milagre tinha acontecido: destes quase 3 mil candidatos, aproximadamente 100 pessoas haviam sido selecionadas para a segunda e última fase… e eu era um deles!

Segui para a segunda fase, fui para uma entrevista em Recife, consegui o aceite da UCL e estou esperando a resposta final, que deverá sair no final de maio, começo de junho. Moral da história: A vida me deu uma lição muito grande, mostrando que nem sempre o que é seguro (a bolsa do DAAD) é certo, e nem sempre o que é “impossível” é inalcançável. E a única forma de descobrir isso é tentando.. por isso: TENTE!

Na próxima semana, o Marcelo disponibilizará para os integrantes do #teamAbroaders (vocês, rs) a sua Statement of Purpose e a Personal History, documentos que teve que redigir para as suas candidaturas! Teremos um post sobre SoP com vídeo e exemplos para baixar. Não percam!


4. Mestrado Profissional nos Estados Unidos pelo Ciências Sem Fronteiras Capes/IIE

Depois de todos os processos seletivos, este que eu julgava ser meu coringa, acabou sendo meu “Ás”! A bolsa de estudos foi ofertada nas últimas e claro, eu já tinha toda a documentação. Eu passava nos requisitos mínimos por pouco, mas passava! Fiz toda a burocracia e depois de alguns meses, lá estava meu nome na lista. Para ter um pouco de emoção, a lista foi revisada e algumas pessoas saíram dela, mas meu coração já estava acostumado e meu nome seguia na segunda lista. O que dificultou foi o atraso no processo e com isso, pouquíssimas universidades ainda estavam aceitando candidaturas.

Como um bom bom brasileiro e que não desiste nunca, escolhi três universidades que ainda estavam abertas e mandei e-mail chorando para Berkeley e VirginiaTech. Berkeley negou de cara, estava com o mestrado lotado. VirginiaTech disse que eu poderia pedir revisão, mas que aconselhava que eu aplicasse para outro centro, pois como eu já havia sido negado uma vez, facilmente eu seria negado uma segunda. Mas eu segui sendo brasileiro e insisti: “Não, eu desejo aplicar para o mesmo centro!”

Certo dia, estou no fazendo compras no mercado e recebo um e-mail da VirginiaTech oferecendo ajuda para alugar apartamentos. Naquele momento eu perguntei: “Tu tá de brincation with me né VT? Já não sabes o que sofri e me mandas este tipo de coisa!” Larguei tudo e voltei para casa correndo, entrei no site da faculdade e lá estava! VOCÊ FOI ACEITO PARA O PROGRAMA DE MESTRADO!

Agora estou no meio das burocracias de visto, aluguel de apartamento, busca de roommates etc.. mas isso não é nada frente ao resto do processo, pois o sentimento que tenho é só alegria! Pedi muito que a vida me desse a chance de realmente escolher para onde eu queria ir, e eis que me foi concedido! Estou indo muito feliz de ir para VT e já abri mão da UCL (a de Londres). Talvez alguem se pergunte, mas como assim? Pensei em tudo e no final das contas vi que a VT é melhor para mim, mesmo a UCL sendo uma das melhores na minha área.

Como fechamento, realmente os processos são bem cansativos. Muitas vezes acreditei que era mais uma prova de resistência do que qualquer outra coisa, mas o sentimento de realização é indescritível. O único conselho que eu posso dar é: tente e se surpreenda!

Em um próximo post, compartilharei com vocês a experiência pós aceite e um pouco da vida por lá! Obrigado! 😉

O bendito (ou maldito) GPA: necessário para estudar fora

Se você caiu de paraquedas nesse artigo, PARABÉNS, acredito que seja um candidato a estudar fora do Brasil e esteja procurando informações relevantes sobre o assunto. Em meio a tantas (des)informações sobre os processos de candidatura e inscrição nos cursos superiores no exterior, nos deparamos com uma sigla sempre muito comum: GPA. Mas o que diabos é isso?

GPA é a sigla para GRADE POINT AVERAGE, que nada mais é do que as suas notas colocadas em uma escala diferente daquela existente no seu país. Basicamente, é usada nos EUA para medir o seu desempenho nos estudos. Por ser um padrão amplamente utilizado por lá, o GPA serve para comparar o desempenho dos alunos em uma mesma escala (como as nossas notas aqui no Brasil). Mas então, qual é a diferença? Por que não posso usar a nossa escala de 0-10 ou 0-100? Bem, colega, pela mesma maneira que eles usam ºF, jardas, pés, milhas … WHO KNOWS ?

Porque EU QUERO e pronto!

Mas nada é tão difícil quanto parece.

Em um curso universitário, cada matéria possui um certo número de “unidades” ou “créditos”. No ensino médio, a maioria das matérias possui o mesmo número de créditos, mas isso não acontece na universidade. A maioria das matérias universitárias têm uma carga de três unidades (cerca de três horas de palestra e seis horas de lição de casa por semana para cada semestre), mas o número pode variar de frações de 1 a mais de 5 unidades. O GPA assume uma escala de notas igual à A, B , C, D, F. A cada grau é atribuído um número de pontos, um A recebe 4 pontos, um B = 3,  C = 2, D = 1, e um F = 0 (Isso em um GPA baseado em escala 4.0). O processo é o mesmo se você estiver trabalhando em graus secundários ou universitários.

O GPA possui escalas que podem ser de 4.0 ou 5.0 (as mais comuns em candidaturas para pós-graduação e graduação no exterior). No entanto, algumas Universidades ou Escolas Secundárias também podem utilizar o GPA em uma escala diferente dessas duas, uma escala 9.0; 4.3 ou 4.5, por exemplo.

O Grade Point Average de um estudante, portanto, é um cálculo matemático que indica onde a média das notas se encontra na escala norte-americana. E ele pode ser encontrado em 2 formas:

  1. term GPA (TERM GPA): Que é a média das suas notas em somente um semestre, e
  2. cumulative GPA (CUM GPA): Que é a média das suas notas ao longo do seu curso.

Ele é basicamente calculado da seguinte forma:

GPA = Σ (grade value × unit credit points)

__________________________

Σ unit credit points
  • multiplicar cada nota pelos pontos da unidade de crédito
  • somar os valores resultantes (pontuação ponderada do GPA)
  • somar os pontos da unidade de crédito
  • dividir a soma da pontuação ponderada do GPA  pela soma dos pontos da unidade de crédito
  • calcular três casas decimais.
WTF...
WTF…

Ficou confuso? Veja essa tabelinha:

GPA

Nesse exemplo o seu GPA seria, 73/15 = 4.87 GPA

Note que neste exemplo o seu GPA seria em escala 9.0, uma vez que as notas atribuídas a cada letra variam entre 0-9

MAS CALMA AI MEU AMIGO, LARGA ESSA CALCULADORA!

Antes que você comece a suar pensando no seu histórico com mais de 50 matérias e no trabalho do cão que daria para calcular isso tudo, fique atento:

Se o seu sistema de classificação é A-F, com uma escala de 4 pontos, você pode ser capaz de calcular a sua média das notas. No entanto, a maioria dos sistemas (excluindo os EUA) não usam essa escala. Até mesmo alguns sistemas que fazem uso de uma escala semelhante têm significados diferentes para as classes (por exemplo, nos EUA, notas “A” não são raras, mas em há outros sistemas em que elas quase nunca são dadas), assim, o GPA não é representativo da mesma coisa que é neste país (EUA). É por essa razão que as faculdades americanas geralmente têm pessoas especialmente treinadas na avaliação de credenciais de outros países.

Mas no meu formulário pede para eu preencher com um GPA!

Você pode colocar GPA = 0.0 ou então calcular de maneira não oficial, mas saiba que assim que o seu histórico chegar na Universidade eles irão conferir suas notas e refazer esse cálculo.

No meu histórico tem matérias que eu desisti e não fiz as provas finais… como ficam essas notas?

Ficam iguais à ZERO (sorry), e você deve incluir no cálculo do GPA multiplicando pelos créditos respectivos.

Eu fiz uma matéria mais de uma vez, e agora?

Por quaisquer motivos que tenham levado você a refazer uma matéria, você só usará a sua maior nota (dessa matéria) no cálculo do CUM GPA. *

Não está aguentando de ansiedade para saber o seu GPA? O Abroaders resolveu te ajudar e facilitar a sua vida, mas lembre-se, esse cálculo é NÃO OFICIAL.

Então, jovem, prepare-se… grude no F5 que na próxima semana nós vamos disponibilizar uma CALCULADORA DE GPA que nossa equipe está preparando para você!

Estudar fora nunca foi tão fácil, se liga nas dicas e aproveite!

 


 

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DOIS ERROS para você evitar ao se candidatar a uma pós no exterior: um depoimento de Luiza Cruz

Hoje temos uma inspiração para vocês!

O nome dela é Luiza Cruz, ela é mineira, formada em Farmácia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e está a caminho do seu doutorado em Química na Imperial College London. Mas para chegar lá, teve que driblar algumas pedras no caminho…

A hora da candidatura vai chegando e você fica igual a siri na lata, perguntando:

“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”
“tem alguém que NÃO passou? Alguém que foi aceito pelo programa de bolsas (como o Ciência sem Fronteiras, por exemplo) aqui no Brasil mas foi recusado pelas universidades??”

Well, jovem, tenho uma boa e uma má notícia pra vocês, mas vou dar a má primeiro (como sempre):

SIM, TEM GENTE QUE NÃO É ACEITO POR NENHUMA DAS UNIVERSIDADES.

Mesmo tendo milhares de experiências acadêmicas, estágios, o diabo a quatro.

Oh, céus, mas POR QUÊ???
Oh, céus, mas POR QUÊ???

Porque eles não conheciam os Abroaders  cometeram alguns erros muito comuns, que parecem bestas mas são desastrosos. Pode dar a boa notícia agora?

Temos aqui uma candidata que TENTOU DE NOVO, PASSOU, e veio dar as dicas de como NÃO repetir esta experiência – a não ser que você curta fortes emoções, viver perigosamente, e tal… daí você pode ser nosso próximo exemplo de superação, mas garanto que prefere seguir as dicas da Luiza e ser feliz logo de primeira. Então, com vocês, Luiza Cruz!

“Quando eu comecei o meu primeiro processo para realizar o doutorado no exterior pelo Ciência sem Fronteiras, em agosto de 2012, nunca achei que somente dois anos depois finalmente conseguiria. Estava realizando o estágio final da faculdade em uma indústria, já havia feito um estágio em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) em um instituto na Suíça, participado por três anos de projetos de iniciação científica e ganhado prêmio de destaque acadêmico na minha turma de graduação. Hoje, posso ver claramente meus dois maiores erros naquela primeira vez: escolha do orientador/programa e a elaboração da SoP (Statement of Purpose).

Pode parecer meio óbvio, mas na pós-graduação você tem um grau maior de interdisciplinaridade e por isso mais opções de programas e orientadores. Em 2012, eu não sabia como era o processo para ser admitida e acabei fazendo escolhas erradas. Não pesquisei direito e nem mantive contato com os professores, ou seja, o caminho certo… se você deseja fracassar. E foi depois de um fracasso total no primeiro ano que decidi tentar de novo.

Pensei: o que eu quero fazer depois do doutorado?

A resposta estava na ponta da língua e então comecei a listar o que eu precisava e quais programas e orientadores poderiam me ajudar a chegar lá.  Mudei de área e mantive contato com vários potenciais orientadores (acabei nem me candidatando para todas as universidades). Para ter certeza do research fit, ou seja, se os meus planos de pesquisa se encaixavam com os interesses dos orientadores, fiquei de olho nas publicações mais recentes dos grupos de pesquisa (em quais periódicos, com qual freqüência publicavam e as colaborações mais importantes). Depois de muita pesquisa, eu fechei minha lista com a certeza de que em qualquer um dos grupos eu seria bem-vinda e de que a pesquisa tinha tudo a ver comigo.

Segundo e mais importante, SoP. Hoje eu sei que meu primeiro SoP foi digno de dó. Parecia mais uma versão em texto do meu currículo. Na minha segunda tentativa, eu tirei tudo que já estava no meu currículo e foquei no que era realmente importante:

Por que eu, e não outra pessoa, tinha que ser escolhida?

Mostrei por A + B (com citação e tudo!) que não só eles eram a minha escolha lógica como também eu era a deles. Na média, cinco parágrafos e uma página e meia foram suficientes para mim. Antes de submeter, eu pedi a uma amiga inglesa, ao meu ex-mentor que é doutor na minha área e que tem o emprego dos meus sonhos e a minha irmã para avaliarem meu texto. No total, fiquei quase 5 meses trabalhando no meu texto. E se eu o ler hoje, com certeza ainda mudaria muitas coisas. Por isso, gaste o máximo de tempo e esforço que der nele, vai valer a pena.  

Assim que percebi o fracasso iminente de 2013, decidi que iria fazer de tudo para levar a minha candidatura a outro nível. Pensei nas coisas que poderiam ser melhoradas. GPA da graduação? Já era. Refazer os testes? Muito trabalhoso, mas possível. Refiz o GRE e melhorei minha nota (não acredito que o GRE seja o fator decisivo em uma application, mas também não atrapalha e, se você tem o tempo e o dinheiro, por que não?).

Agora o ponto mais crítico e talvez mais trabalhoso. Eu sabia que não podia ficar simplesmente um ano parada (academicamente falando) e seria muito bom ter mais experiência em pesquisa na área. Solução? Mestrado. Não pelo título em si, mas pela experiência em pesquisa, que nunca é demais. Também me ajudou o fato do mestrado ser na nova área escolhida e, portanto mostrou aos avaliadores que mesmo sendo de outra área eu poderia dar certo no programa deles.

Mas mesmo sendo cuidadosa, ainda cometi alguns erros. Uma das muitas exigências dos programas de pós-graduação nos EUA é o GRE Subject [nota dos Abroaders: em nosso material sobre o GRE, falaremos sobre isso]. Entre os top 20 programas da minha área, somente um ou dois não exigem o teste. E se você quer ir para as melhores universidades (quem não quer?), se prepare para enfrentar forte concorrência aqui. Na minha área, é bastante comum ver norte-americanos com 60, 70% sendo aprovados nos melhores programas, sendo que para estudantes internacionais a média fica acima de 90%. Além disso, o teste pode ser oferecido até três vezes por ano, mas no Brasil geralmente apenas duas datas são disponibilizadas. Ou seja, não deu tempo de estudar e quando fui ver já não havia mais data disponível e acabei não fazendo o teste.  Ainda dá tempo de checar esses requerimentos e não bobear que nem eu (geralmente, as provas são em abril, setembro e novembro).

Enfim, depois de dois anos de muita correria, finalmente colhi os frutos. Fui aceita em 3 de 4 das minhas universidades (na quarta fiquei na lista de espera), fui chamada de top candidate em uma, chorei para escolher outra, mas… so far no regrets.

Em outubro vou começar meu doutorado para fazer exatamente o que eu sempre quis fazer e com a certeza de que foi a melhor escolha.”

Lindo, não? Aposto que ficou com os olhos marejados aí. Pois respire, volte à vida real e releia o texto com cuidado, porque a Luiza deu dicas muito importantes aqui! Muitas delas você verá novamente em breve, em nosso material sobre SoP que estamos preparando com cuidado.  Ah! Se quiser saber mais sobre como encontrar seus orientadores e universidades, clique aqui.

Abraço dos Abroaders!

Inglês sem Fronteiras: uma oportunidade a aproveitar!

Olá, jovem que está cursando a graduação ou pós-graduação (stricto sensu) e quer fazer uma parte do curso no exterior, mas está ainda no the book is on the table. Que fase! Mas não se desespere: o post de hoje é para você.

Sim, você!! Você que  estava passeando pelo Abroaders, fuçando informações sobre pós graduação no exterior… já descobriu que não precisa de mestrado para doutorado, já escolheu que tipo de pós graduação vai fazer, já sabe de cor as 10 coisas que não pode deixar de saber sobre o Ciência sem Fronteiras e se empolgou com a entrevista da Gisele Ribeiro. Também quero!, você pensou. Até começou a pesquisar universidades e orientadores, quando de repente se lembrou de um pequeno detalhe: os exames de proficiência na língua inglesa…

IsF

…e seu inglês está mais enferrujado que a última taça que o Vasco ganhou.

Pois seus problemas acabaram! Os Abroaders conseguiram que uma amiga escrevesse por livre e espontânea pressão um pouco mais sobre o Inglês sem Fronteiras, esse programa que você nem sabia que existia e que pode te livrar de ser deportado de volta ao Brasil pela falta de proficiência no inglês.

O texto foi escrito pela Elisa Bellone, essa graça de pessoa que, além de ser aluna do curso de Letras (Português-Inglês) da UFVJM em Diamantina, também é professora do Inglês sem Fronteiras. Quer saber o que ela tem pra te contar? Acompanhe:

“No mundo contemporâneo, após a globalização, é exigido o conhecimento e domínio de outro idioma. Pensando nisso, para ajudar estudantes universitários de todo o país a aperfeiçoarem seu conhecimento da língua inglesa e adquirirem proficiência na língua, o governo criou o Programa Inglês sem Fronteiras (IsF), que visa proporcionar oportunidades de acesso às universidades de países anglófonos através do Programa Ciência sem Fronteiras (CsF) à todos aqueles interessados em participar do processo de seleção. São ofertados periodicamente cursos à distância, presenciais e aplicações de testes de proficiência.

O primeiro passo para ter direito de participar do IsF é ser aluno de graduação ou pós-graduação strictu sensu de instituições de ensino superior públicas ou privadas. O segundo é o aluno estar necessariamente ativo no curso de inglês oferecido a distância, o My English Online (MEO). Alunos de graduação de instituições de ensino superior privadas podem participar do MEO desde que tenham obtido nota igual ou superior a 600 no ENEM e alunos de pós-graduação desde que tenham seus programas credenciados pela CAPES.

Para concorrerem a vaga nos cursos presenciais de inglês oferecidos pelo Núcleo de Línguas de sua instituição, é necessário que o interessado esteja cursando no mínimo o nível 2 do My English Online e terá prioridade se for estudante de algum dos cursos prioritários para o Ciência sem Fronteiras. Os cursos presenciais são intensivos de 4 horas semanais com sua duração podendo variar entre 16, 32, 48 e 64 horas de acordo com o objetivo a ser atingido pela universidade. Seu período de inscrição é divulgado pela própria instituição à comunidade universitária por meio de seus sistemas internos.

Quanto aos testes de proficiência, alunos que se candidatem ao Programa Ciência sem Fronteiras ou outros programas da CAPES/CNPq que incluam o TOEFL ITP em seus editais terão o direito de realizá-lo sem custo (a data de aplicação desses testes também é divulgada pela instituição e pode ter o perfil de nivelamento ou de proficiência de acordo com o edital do CsF).

Observem que o TOEFL ITP é somente para candidatos à graduação sanduíche! Candidatos a alguma pós devem fazer o TOEFL IBT. Você pode saber mais sobre este último baixando o nosso e-book sobre exames.

Os interessados em se cadastrar no My English Online devem acessar este site e preencher seus dados. Para mais informações acessem o site do Programa Inglês sem Fronteiras, lá vocês encontrarão o edital do programa com todas as informações necessárias de como participar.

Aproveitem a oportunidade!”

10 coisas que você deve saber sobre o programa Ciência sem Fronteiras

Ciência Sem Fronteiras
1. Já imaginou um documento onde todas as informações pertinentes sobre o programa estão descritas lindamente especialmente para você? Sim? ELE EXISTE! Chama-se edital! Assim como todo concurso público, o programa Ciência sem Fronteiras tem um edital. Leia-o! Imprima! Cole do lado da sua cama! Decore-o! Muitas dúvidas poderão ser sanadas através dessa leitura e você ficará um pouco menos perdido durante o processo.

2. O programa Ciência sem Fronteiras oferece a possibilidade de estudo em quase todos os continentes, não somente América do Norte e Europa, como muitos pensam. Países como Cingapura, Nova Zelândia, Índia e muitos outros estão na lista. É possível que a universidade referência para a pesquisa que você quer desenvolver seja na República Tcheca… Vai saber, né! Confira aqui a lista completa.

3. Apesar das áreas contempladas terem sido revistas, ainda existem restrições nesse quesito. Diferentemente de outras bolsas da CAPES e do CNPq, muitas áreas de estudo de Humanas não são contempladas pelo edital do CsF (essa ciência tem fronteiras, afinal). Muitos desavisados se inscrevem mesmo assim e recebem NÃO como resposta. Logo, confirme aqui se a sua área de pesquisa é contemplada e tente descobrir em grupos de discussão se há alguém com projeto na mesma área que já teve a bolsa aprovada antes de sair todo serelepe escrevendo plano de estudo, ok?

4. Reza a lenda (na verdade está descrito no cronograma no site – clique aqui) que o prazo para análise do processo depois que você envia a sua documentação é de 120 dias #sqn. Segundo a nossa própria experiência, a maioria dos candidatos recebeu a resposta com atraso de mais de um mês desse prazo inicial. Uns coitados estão nessa angústia há mais de 200 dias e nada. Claro, há exceções. Mas já se prepare! É provável que a tecla F5 do seu computador caia nesse processo. Insônia, engordar ou emagrecer, unhas roídas são sintomas que podem aparecer durante a espera. Recomendo suco de maracujá e Água de Melissa para acalmar os nervos. O CsF é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) – se você não sabia disso ainda, volte dez casas e entre no site do programa pelo menos uma vez na vida – e é administrado por suas respectivas agências de fomento a pesquisa: as famosas CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Ou seja, há editais administrados pela CAPES e editais administrados pelo CNPq. O que isso muda na minha vida?

Bom, o processo é o mesmo, contudo, há itens que podem variar de uma agência para a outra. Por exemplo, a lista de cidades consideradas de alto custo (possuem adicional no valor mensal da bolsa) não é a mesma para as duas instituições (veja a lista, item 1.1. Adicional de localidade). Cada uma delas tem a sua própria lista. Assim, saiba para qual delas você está fazendo inscrição e descubra no famigerado edital as especificidades de cada uma.

5. Os processos para a CAPES e para o CNPq são independentes. Assim, caso você se inscreva para um deles e tenha o pedido indeferido, você poderá se inscrever para outro edital administrado pela outra instituição e ter uma nova chance de aprovação.

6. Após a sua inscrição, você irá acompanhar o status do seu processo através desse site: GED – Situação do Processo; E depois de ser aprovado, irá enviar os seus documentos através desse site: GED – Documentos Avulsos.

Saiba de antemão que ambos os sites são temperamentais. Ou seja, ora funcionam, ora não. Então prepare o seu estômago para isso. E já pesquise como irá consertar a tecla F5. Além disso, às vezes no site para envio de documentos complementares não aparece aviso algum de confirmação de envio. E-mail de confirmação nem pensar. Você ficará neurótico e mandará o mesmo documento três vezes. Been there, done that.

7. Eu sei que você sabe (… já que a vida quis assim…) que os processos de aplicação para a bolsa do CsF e para as universidades são dois processos independentes e com exigências diferentes. O que você precisa saber também é que esses processos possuem cronogramas diferentes. Logo, se você decidiu aplicar ontem para a bolsa, saiba que antes de fazer isso terá que: pesquisar as universidades que possuem a mesma linha de pesquisa que você, pesquisar orientadores, conversar com orientadores, se inscrever para as universidades, ser aceito por alguma universidade e também pelo orientador. Após ter a carta de aceite da universidade e confirmação do orientador, você vai se inscrever para o CsF, para o edital que estiver aberto.

PS.: Ou você pode ser um grantee da LASPAU e receber auxílio para elaborar os documentos, ajuda nas inscrições e suporte financeiro. Além disso, sendo um grantee da LASPAU, você não precisará enviar a carta de aceite da universidade na inscrição para o programa Ciência sem Fronteiras! Saiba mais aqui!

8. Aquele valor mensal que você irá receber para pagar as contas (e baladas – dream on) é, para muitas cidades, insuficiente. Eu farei doutorado às contas da Dilma, mas passarei fome e frio? Calma, amigo, não se desespere! Você terá que vender brigadeiro na porta da universidade pra sobreviver. Ou você pode pedir bolsa adicional para a própria universidade para complementar a sua renda. Isso é mais comum do que você imagina. Se a universidade realmente quer que você estude lá, eles não irão pestanejar para te oferecer uma bolsa a mais, algum trabalho de assistente de pesquisa ou de assistente de professor.

Além disso, para tirar o visto, você terá que comprovar uma renda mínima que varia segundo a cidade. Caso esse valor seja maior que a bolsa, há três opções: 1) quebra o porquinho e usa a sua poupança da vida inteira para comprovar a renda e manter os gastos a mais; 2) pede a bolsa-pai; 3) pede bolsa adicional para a universidade.

9. Pati, eu não tenho mestrado, não posso fazer doutorado. Errou, errou rude pequeno gafanhoto. Eu não fiz iniciação científica na graduação, não tenho mestrado, não tenho publicações, nunca participei de congresso algum. E daí? A minha bolsa do CsF foi aprovada e eu vou cursar o PhD in the Constructed Environment na University of Virginia com bolsa adicional da universidade. Ou seja, você não precisa desses itens para conseguir a bolsa e ser aprovado para fazer o doutorado no exterior. Esse post (Doutorado sem Mestrado) explica melhor sobre isso.

Para se inscrever para a bolsa de doutorado do programa Ciência sem Fronteiras você precisa: 1) Ser brasileiro ou naturalizado; 2) Ter concluído curso de graduação dentro das Áreas Contempladas pelo Programa Ciência sem Fronteiras; 3) Possuir bom desempenho acadêmico; 4) Não ter concluído doutorado.

10. A maioria das bolsas é oferecida para graduação na modalidade graduação sanduíche, e pós graduação nas modalidades doutorado sanduíche, doutorado pleno e pós doutorado. Ano passado o CsF abriu a primeira chamada para a nova modalidade mestrado profissional, dê uma olhada no site e tire as suas dúvidas. Outros tipos de bolsas incluem tecnólogos e treinamentos no exterior, assim como o incentivo aos estrangeiros para virem estudar no Brasil.

Não se desespere ainda. É muita informação sim, uma infinidade de documentos que você terá que providenciar, horas a fio estudando, porém o Abroaders está aqui para te dar a mão e te ajudar durante o processo! Conte com a gente!

 

Doutorado sem Mestrado, is this the real life… is this just fantasy ?

Doutorado sem mestrado?
É possível ser aceito em um programa de doutorado no exterior se eu apenas tenho o diploma de bacharelado?

A resposta é curta: SIM, você pode; mas é claro que algumas exceções existem. Há muita confusão entre alunos de todo o mundo, principalmente brasileiros, que costumam acreditar que é obrigatório ter mestrado para obter o título de Doutor. Sabe de nada, inocente!

Na realidade, é até uma boa ideia aplicar para programas de doutorado logo após o bacharelado, caso tenha em mente um tema inédito e esteja disposto a desenvolver o conhecimento necessário à pesquisa de alto nível de qualidade.

Para quem ainda está em dúvida sobre a veracidade desta informação, separei logo abaixo algumas instituições e programas onde candidatos podem aplicar sem o diploma de Mestre.

Graduate Admissions – Ohio State University

Prospective Graduate Students – University of Washington

Prospective Students – Graduate School – University of Miami

O que as universidades esperam do aluno que aplica diretamente para o Doutorado?

Veja bem, tentar um PhD direto apenas com a licenciatura ou bacharelado é possível, mas pode ser bastante competitivo. Por entender que o aluno que acabou de sair da graduação provavelmente não elaborou qualquer tese significativa, a avaliação de potenciais candidatos acaba caindo sobre outros pontos, como os descritos abaixo.

  1. Excelente GPA (Grade Point Average)
  2. Boas cartas de recomendação
  3. Proficiência em Inglês comprovada através do TOEFL
  4. Pontuação expressiva no GRE (Graduate Record Examination)
  5. Um marcante Statement of Purpose (SoP) descrevendo seus interesses acadêmicos e planos profissionais
  6. Quaisquer trabalhos publicados em revistas, anais de congressos e outros periódicos

– “A Universidade é irredutível. Requer um mestrado e eu não tenho tempo e nem como fazê-lo”

Nem tudo está perdido! Vale a pena conversar com o professor que você tem contato na Universidade e também com os responsáveis pelo Graduate Department. É possível que, caso você tenha uma pós-graduação Latu Sensu, a Universidade considere o seu curso como equivalente ao Mestrado previamente requerido.

Se você souber vender o seu peixe, conseguir provar que tem potencial e fizer bons contatos nos programas de seu interesse, não tem erro. Cheque os requerimentos específicos de cada departamento, planeje as suas aplicações e corra para o abraço!