Etiqueta em comunicações virtuais no ambiente acadêmico estrangeiro

Olá pessoal! Tudo bem? Este post trata de um assunto que pode parecer um tanto quanto simplório, mas que faz toda a diferença para estudar no exterior: etiqueta virtual. Tentarei ser breve e oferecer dicas práticas para você que está no início do processo de inscrição, tentando contatos com possíveis orientadores e colegas de pesquisa.

Indo direto ao ponto: brasileiros são um tanto quanto diretos ao escrever emails, até diretos demais, muitas vezes. Na troca de emails com estrangeiros, faça uma força extra para demonstrar boas maneiras, especialmente para com pessoas que você desconhece pessoalmente. Após escrever o email, releia todo o texto e dedique alguns minutos a mais para trabalhar nas introduções e despedidas, assim como no assunto do email — existem milhares de tutoriais online sobre como escrever mensagens, cartas, emails! Desde que cheguei nos Estados Unidos, observei que isso é mais valorizado do que eu imaginava. Depois de quase um ano vivendo aqui, já me acostumei e agora para mim é natural escrever assim. Porém, frequentemente recebo emails ou mensagens no Facebook de brasileiros com questões sobre estudar no exterior e fico surpreso com a falta de cuidado na escolha das palavras. Busquei no meu próprio histórico de emails para ver se eu também escrevia daquela forma e confesso que eu cometia os mesmos erros! Seguem dois maus exemplos:

Eu queria saber como é o ensino, o alojamento,  alimentação,  enfim,  como as coisas ocorreram pra vc.

Assim mesmo, sem saudação, sem tchau, sem clareza sobre as dúvidas.

Aee kra
queria saber se tu pode ajudar com a mina ideia de estuda ae na sua uni
fiquei sabeno que Seattle eh legal que tu axa dai?
Flww mano

Sem comentários.

 

Claro que nem todos os brasileiros tem maus costumes ao escrever emails. Abaixo, um ótimo exemplo. (Meus comentários sobre os acertos do interlocutor estão em verde após as sentenças)

Olá Lucas, tudo bem? — 1. Uma saudação simples e amistosa.

Sou aluno de doutorado em {Programa} da {Universidade Federal de Tangamandápio}. Estou entrando em contato, pois vou passar um ano na Universidade de Washington. — 2. A apresentação, básica entre pessoas que não se conhecem.
Gostaria de saber se você pode tirar algumas dúvidas, como por exemplo:  consegue viver com {9999} dólares em Seattle? E se for duas pessoas? Aluguel é caro? Tem que morar perto da universidade ou existem bairros mais estratégicos? Esses tipos de dúvidas iniciais mesmo. — 3. Enumeração clara dos tópicos de interesse. Assim eu sei como responder rapidamente as dúvidas do interlocutor.

Desde já agradeço muito a sua atenção. — 4. Agradecimentos sinceros ao final.

Abraço! — Não é comum, pelo menos aqui nos EUA. Eu seria mais conservador, usando um “Sinceramente”.

PS. Desculpe pelo incômodo, mas acredito que passou pelo o mesmo que estou passando. — 5. Apresentou boa educação, sensibilidade e empatia para com a minha pessoa.

* Email editado para proteger a identidade do interlocutor.

 

Algo interessante que esta mensagem demonstra: talvez por também ser um estudante de doutorado, ele sabe que não tenho muito tempo disponível para gastar com trocas de email, especialmente  inesperados. Não tenho tempo alocado no meu calendário para escrever emails para desconhecidos! Ou seja: não conclua que todas as pessoas estão disponíveis para lhe responder. Mais uma razão para escrever o email com cuidado. Listo mais algumas dicas:

  • Não use expressões informais, muito menos gírias.
  • Apresente as suas dúvidas de forma clara . As pessoas geralmente escaneiam a parte central do email buscando perguntas que possam ser respondidas rapidamente.
  • Quando obter uma resposta, não esqueça de agradecer em um email subsequente.
  • Mencione que conhece o trabalho do professor ou do colega pesquisador. Faça seu dever de casa e pesquise!
  • Revise a gramática! Várias vezes.

 

Algumas dicas específicas para a busca de orientadores:

  • Dirija-se ao professor como Dr. {Sobrenome}
  • Agradeça antecipadamente pela atenção
  • Demonstre-se disponível para uma entrevista, já apontando dias e horários possíveis (não esqueça de pesquisar o fuso horário correto)
  • Termine o e-mail com “Sincerely, {Nome e Sobrenome, Universidade, Cidade/País}

 

Essas dicas simples podem fazer a diferença na primeira impressão que você deixará em um possível futuro orientador. Pratique a gentileza! Ela muda a percepção sobre as pessoas, para melhor.

Duas últimas observações:

Não confunda gentileza com falta de objetividade. Emails muito longos podem ser ignorados. Busque um equilíbrio! É possível ser educado e direto ao mesmo tempo.

E não se esqueçam: professores são muito atarefados. Se você não obtiver uma resposta em uma semana, reencaminhe o e-mail. Reitere seu interesse em manter contato ou pergunte sobre outros professores que possam se interessar em estabelecer uma relação.

O Abroaders disponibiliza um documento com alguns exemplos de e-mail para o primeiro contato com um futuro orientador, para acessá-lo basta clicar aqui.

 

Se você tiver mais sugestões, por favor compartilhe nos comentários!

Obrigado pela atenção. Boa sorte em suas incrições e pesquisas.
–Lucas Colusso

 

Ps.: Obrigado à Equipe Abroaders (especialmente à Ugo Bruzadin e Pedro Menchik) pelas adições e sugestões.

Comentários

  1. Raquel Lobosco disse:

    Oi Lucas,
    São muito boas as suas dicas! Vale lembrar que as boas maneiras deveriam ser adotadas no Brasil também. Fico assustada com a falta de formalismo que existe inclusive na documentação oficial das Universidades brasileiras.

  2. Karin disse:

    Gostei bastante desse post e é realmente um lembrete bastante importante e que muda a impressão que alguém deixa. Gostaria de adicionar uma dica: quando estiver agradecendo antecipadamente, evite dizer
    “I would appreciate if you did x and y”. Soa passivo-agressivo pros americanos.

    1. Equipe Abroaders disse:

      Obrigada pela dica Karin! 😀

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