O que é (e o que não é) um doutorado!?

Recebemos muitas perguntas sobre como é a experiência de fazer um doutorado, como é a rotina, demandas de trabalho, etc. Esse post é uma tentativa de responder tais dúvidas e esclarecer de vez o que é e o que não é um doutorado no exterior.

Vale ressaltar que a rotina de alunos de doutorados em Exatas, Biológicas e Humanas varia. A rotina descrita aqui corresponde a rotina de um aluno em Humanas ou Ciências Sociais. Aguarde posts futuros sobre a rotina do doutorado em outras áreas de estudo.

Primeiro: doutorado não é curso de inglês que você vai duas vezes por semana e faz lição de casa uma hora antes de ir para a aula.

Segundo: doutorado não é ensino fundamental onde você  tem aula das 7:30  até  13:00 da tarde, estuda uma hora por dia e passa o resto do dia assistindo Sessão da Tarde e Malhação.

Terceiro: doutorado não é ensino médio onde aquele professor vai te cobrar todo dia o conteúdo da matéria e a tarefa do dia. Ninguém irá te cobrar nada, mas ainda assim esperarão muito de você.

O que é, então, um doutorado?

Na realidade, um doutorado no exterior exige dedicação integral, de oito a dezesseis horas por dia de estudo, incluindo sábado, domingo e feriados. Durante os dois ou três primeiros anos, um aluno de doutorado precisa cursar uma certa quantidade de matérias e obter os devidos créditos. Essa quantidade varia por programa e por área de estudo. Contudo, nos Estados Unidos, alunos estrangeiros precisam cursar no mínimo 12 créditos (normalmente quatro matérias) por semestre para ser considerado aluno em tempo integral.

Ou seja, nesses primeiros anos, grande parte da sua carga de trabalho será focada em atender os requisitos das matérias que você está cursando. Isso envolve muita leitura (de certo uma média de  100 páginas por semana por matéria – mínimo de 400 páginas por semana), escrever relatórios e textos sobre o conteúdo lido, responder perguntas ou fazer exercícios práticos. Nos Estados Unidos, é esperado que o aluno se prepare para a aula e venha com o conhecimento necessário para discutir o tópico.

Participar em discussões em aulas faz parte de como professores americanos avaliam os alunos. Ou seja, se você vai para a aula sem estudar antes, é muito provável que não terá bom aproveitamento na matéria. A grande maioria de programas de doutorado possui exigências mínimas de aproveitamento em matérias. Estudar MUITO é uma condição sine qua non para fazer um programa de doutorado no exterior.

Mas calma… Isso não é tudo. Além da gigantesca carga de trabalho que as matérias exigem, alunos de doutorado também precisam se dedicar a sua própria pesquisa, desenvolver o seu projeto de pesquisa. O projeto de pesquisa deve ser um detalhado plano do que será a sua pesquisa, qual a fundamentação teórica utilizada, qual será a contribuição original que tal pesquisa irá prover e sua relevância para a área de estudo, quais resultados espera obter, e qual metodologia será desenvolvida para chegar em tais resultados. Cada programa possui seu timeline em relação a quando esse plano precisa ser desenvolvido, apresentado e aprovado. Normalmente isso deve acontecer ao finalizar as matérias cursadas. Porém, tal timeline varia de programa para programa.

De qualquer maneira, se preparar para escrever e, realmente escrever o plano de estudo requer uma carga de trabalho que, na verdade, é dificil de descrever. É trabalho PRA CARAMBA. Muita pesquisa, leitura, resumos e tentativas de elaborar um plano de pesquisa que seja viável e relevante ao mesmo tempo. Detalhe que isso ainda não é a pesquisa em si, mas o planejamento do que será a pesquisa e como essa será realizada de maneira efetiva.

Mas calma… Isso não é tudo. Além das matérias e do plano de pesquisa, há ainda o exame de qualificação. Como todos os outros itens, a timeline do exame e o formato dele variam de acordo com área de estudo e programa. Tentarei resumir de forma sucinta o que raio é esse exame: imagina você ter que provar que já estudou o suficiente sobre a sua área de conhecimento para poder ensinar outros e ser considerado uma autoridade em tal área. Em outras palavras, é trabalho PRA CARAMBA .

Mas CALMA… Isso AINDA não é tudo. Caso o seu orientador tenha um laboratório, além de tudo o que eu já descrevi, você provavelmente terá que trabalhar algumas horas do dia no laboratório, na sua pesquisa ou em colaboração para outros projetos.

Depois de todo esse trabalho, você terá que colocar em prática o plano de pesquisa durante os últimos anos do doutorado. Nesse período, o tipo de trabalho de cada doutorando varia muito de acordo com o tipo de pesquisa e metodologia desenvolvida. E ainda escrever a tese apresentando o processo e resultados da pesquisa (que é basicamente um livro).

Agora você deve estar pensando que acabou, certo? ERRADO. Além de matérias, plano de pesquisa, exame de qualificação, laboratório, doutorandos ainda precisam se preocupar em frequentar conferências e publicar artigos a fim de divulgar o seu trabalho e ter uma chance de arrumar um emprego.

Além de tudo isso, a gente ainda tem que comer, tomar banho, dormir, enfim… viver.

É trabalho PRA CARAMBA, sem vale refeição, férias, décimo terceiro, ou salário, pra falar a verdade. Bolsa de estudos não é salário. Bolsista não lucra com bolsa de estudos. Bolsa de estudos é um dinheiro mínimo para pagar aluguel, contas básicas e comer. Mas esse já é tema para um outro post…

1 ano no exterior, o que aconteceu até aqui?

Queridos gafanhotos, estamos de volta!

Er, quer dizer, estamos voltando… assim, aos poucos… mas tá indo.

O que dizer sobre esse 1 ano estudando no exterior que passou tão rápido mas já considero pacas? Bom, passou rápido mesmo. Passou tão rápido que é quase inacreditável. A gente chega achando que nesse primeiro ano vai fazer mil coisas, começar um projeto para mudar o mundo, criar algo revolucionário, descobrir a cura de alguma doença… mas não. A gente chega, e senta a bunda na cadeira para ter aulas. Não me levem a mal, minhas aulas até agora foram espetaculares, e tenho certeza que os meus companheiros de equipe irão dizer o mesmo sobre as deles. Vou contar um pouco sobre a minha experiência, e saibam que dependendo do curso e da Universidade, isso pode variar.

Aqui na Tulane University eu preciso estar matriculada em 12 créditos por semestre para ser considerada aluna Full Time. Isso equivale a 4 matérias de 3 créditos. Então nesses 2 semestres eu completei 8 matérias, ou 24 créditos. Para me formar eu preciso completar 54 créditos, o que dará mais 2 semestres com 4 matérias cada e um outro semestre exclusivamente para Gross Anatomy. Para aqueles que não sabem eu estudo Physical Anthropology, com ênfase em Forensic Anthropology.

Objeto do meu trabalho cursando Forensic Anthropology

Além das 4 matérias cursadas eu também sou RA (Research Assistant). Ou seja, além de estudar para as minhas aulas diárias, eu também faço horas de pesquisa no laboratório. Se eu pudesse resumir os meus dias seria: chegar para as aulas as 9h e sair da Universidade as 17h, chegar em casa e continuar trabalhando. Obviamente esse é o MEU horário, isso varia muito dentre todos os alunos de outras Universidades e inclusive dentre meus próprios colegas de departamento. Eu, por exemplo, gosto de acordar cedo (5:30h) para afazeres saudáveis (leia-se ir para a academia para não virar uma bola), gosto de tirar uma soneca à tarde, e muitas vezes prefiro escrever projetos, papers e estudar a noite. Mas novamente, isso funciona pra mim, e cada um tem a sua maneira de se organizar (para dicas de organizacao entre neste link)

Como eu ia dizendo, aulas e laboratórios enchem o meu dia, mas eu ainda preciso de tempo para: estudar, comer, escrever, pesquisar e um tempo para não pensar em nada porque ninguém é de ferro. Minha experiência com as aulas foram excelentes. Além de professores extraordinários, eu tive ótimos colegas de classe. Aqui na Tulane muitas das classes são uma mistura de Undergrads e Graduate students (entre neste link para entender a diferenca), porém, algumas coisas são diferentes, como por exemplo, nós Graduate students temos uma sessão de discussão de artigos após as aulas (inclua isso no seu dia), onde devemos ler um determinado artigo antes da discussão e o apresentamos para o resto do grupo. Também devemos escrever um Final Research Paper, que aqui na Tulane varia entre 15 e 20 páginas, o que é quase um projeto: escolhemos um tema, colocamos uma tese, e tentamos prová-la ou refutá-la com base na literatura e pesquisa própria. Eles geralmente devem ser entregues no último dia de aula e valem uma grande parte da nossa nota, em torno de 30%. O resto fica distribuído entre provas (sim, 3 provas), participação, discussão dos artigos e alguns outros mini testes.

Meus momentos de não pensar em nada se resumem geralmente a um dia, ou sexta a noite, ou sábado. É quando eu tiro tempo para ver os meus seriados favoritos, sair com os amigos, ou para ler qualquer coisa não relacionada ao meu curso ou minhas aulas. Anotem: ISSO É NECESSÁRIO! É preciso ter um dia de descanso e, sabendo se organizar, dá pra fazer tudo sem peso na consciência.

Vivendo em New Orleans o que não me falta são coisas para fazer. A cidade ferve todos os dias da semana. As pessoas são amigáveis e prestativas, o clima é agradável na maior parte do tempo (exceto no verão, verão aqui é insuportável). O meu departamento, Department of Anthropology, é bastante unido, professores e alunos se dão super bem e inclusive fazem social juntos. Temos algumas festas que envolvem ver o seu orientador fantasiado de Malévola (er, Halloween), e muitas outras coisas mais. Fiz grandes amigos aqui, e tenho certeza que isso me ajudou bastante durante todo esse ano que passou. Meus amigos Abroaders também têm um espaço importante nesse trajeto todo, sempre nos falamos e compartilhamos aflições e conquistas. As pessoas ao meu redor fizeram esse 1 ano ser o mais proveitoso possível.

TL;DR: Apesar de ter uma carga enorme de aulas, pesquisa e estudos, eu só tenho a agredecer por tudo o que aconteceu nesse 1 ano que passou. A quantidade de conhecimento que eu adquiri é imensurável e as minhas aulas, assim como pesquisas, foram extraordinárias. Mesmo com um calendário cheio de tarefas, preciso de um dia para relaxar, e ter um círculo de grandes amigos com certeza me ajudou nisso tudo.

Logicamente, isso nunca seria possível sem a bolsa do CsF, e se você quer ter essa oportunidade, leia o nosso site e descubra o que fazer e como se preparar para se candidatar ao Doutorado.

Doutorado no exterior: gerenciando o seu tempo

Hello, Abroader! Quanto tempo, hein? Pois é, a vida por aqui não está fácil, e é exatamente sobre isto o post de hoje!

Vou logo avisando que este é especial para os Abroaders que já estão no exterior, tentando sobreviver e fazer um doutorado ao mesmo tempo (serve para mestrado também, guardadas as devidas proporções, ok?). Será um post bem longo, vou avisando, mas pode valer a pena.

Então, como foi o seu dia hoje? Melhor, como tem sido sua rotina? Está dando conta de tudo ou acha que seu dia precisaria de pelo menos 72h? Vamos fazer uma pesquisa rápida e ver o que você responderia, sinceramente:

(  ) estou dando conta de tudo! As leituras e tarefas estão em dia, participo de todas as reuniões do grupo de pesquisa, cuido da burocracia, minha casa só vive impecável, estou malhando e cuidando da saúde e ainda sobra tempo para cozinhar e ler algo que eu goste todos os dias – e tenho uma vida social saudável;

(  )  meus estudos estão em dia, mas para isso abri mão da academia e o microondas virou meu melhor amigo! Saio quando dá, e quando sobra tempo no fim de semana passo um aspirador na casa;

(  ) cuido da casa e faço minha comida, mas meus estudos estão sempre atrasados em pelo menos uma matéria, e nem sei mais o que é malhar, muito menos vida social;

(  ) estudos em dia e academia também, e saio todos os fins de semana para tomar umas cervejas, mas minha casa está uma zona e estou vivendo de miojo;

(  ) já pedi meu Viratempo pelo Amazon e estou só esperando ele chegar…

Se você considera humanamente impossível marcar a primeira opção com sinceridade, desafio você a mudar alguns hábitos e repetir a pesquisa daqui a algumas semanas. Sim, estou dizendo que é possível dar conta de tudo. E sim, eu marcaria a primeira opção. Se eu consigo, vocês também conseguem!

Hoje, por exemplo, vou contar como foi meu dia: acordei, enrolei um pouco na cama (lógico), levantei, limpei o quarto, lavei roupa, estudei, fiz meu almoço (fiz, não esquentei), comi, lavei os pratos, tomei banho, saí de casa, estudei mais no escritório, fui à reunião semanal do grupo de pesquisa, estudei mais um pouco e fui para a aula de ritmos latinos, depois fui tomar um sorvete com uma amiga, voltei para casa, tomei banho, tomei café, estou aqui escrevendo este post para vocês e depois vou dormir. E se você acha que seu programa só pode estar muito mais puxado que o meu: eu tinha 562 páginas para ler, um teste online para fazer e um homework até sexta, outro homework para amanhã, estudar para um quizz também amanhã, mais 237 páginas para ler para segunda, além de pesquisar uma solução para aproveitamento de água da chuva no deserto “pra ontem” e pensar em alguma coisa para começar a minha pesquisa e apresentar daqui a três semanas. Claro, isto tudo (com exceção das últimas duas coisas) são para esta semana, e próxima semana tem mais. E amanhã ainda farei uma entrevista de emprego no campus, sugerida pelo meu orientador, e se eu passar tô lascada terei que arranjar 5-7h por semana para dedicar a isto.

Ou seja, não está fácil, não é fácil, mas estou dando conta de tudo mesmo assim… e por quê? Sou especial? Não. Também tenho muitas inseguranças, dúvidas, momentos de ansiedade, saudades, tristeza, tudo isso que vocês têm.

 

Mas é que meu viratempo já chegou!
Mas é que meu viratempo já chegou!

 

Mentira; na verdade, é que eu sempre tive muita facilidade de planejar e gerenciar o meu tempo. Por isso, resolvi escrever algumas dicas que podem ser úteis. São meio óbvias, mas às vezes esquecemos o óbvio, não é mesmo?

Vale ressaltar que eu vou dar dicas empíricas que funcionam para mim. Não pesquisei nenhuma metodologia de gerenciamento de tempo (uma vez, andei dando uma olhada no método GTD – Getting Things Done – , sobre o qual você pode encontrar algumas publicações neste blog, mas confesso que não levei adiante). Algumas dicas muito interessantes de sobrevivência durante os grad studies você pode encontrar também neste livro. Mas, novamente, as dicas que darei são minhas e mesmo que eu as use como verdade ou fale no imperativo, elas podem funcionar ou não para você. A ideia é ver com o que você se identifica e colocar em prática.

Vou dividir as dicas em:

  1. Dicas gerais

  2. Cuidando da casa

  3. A hora do almoço

  4. Organizando os estudos

  5. Atividades físicas em dia

  6. Seu momento de higiene mental

  7. Vida social

 

Pronto? Vamos ao que interessa.

  1. Dicas gerais 

 calendarioTo-do lists, calendários e agendas são itens indispensáveis. Acostume-se a usá-los. Mas cuidado para não exagerar ou você vai acabar se confundindo.

Não anote tudo o que você tem que fazer em vários locais separados: arranje um espaço para isto e carregue sempre consigo (pode ser um bloco/caderno). Use este instrumento para anotar apenas as tarefas que tem que completar. Depois, separe um tempo para organizar estas tarefas, distribuí-las em dias e planejar a semana que está por vir. Só precisa fazer isto uma ou duas vezes por semana, e ir ajustando sempre caso as coisas não saiam conforme o esperado.

Use um calendário mensal. No computador é bom, mas melhor mesmo são aqueles tipo quadro que você coloca na parede. Eu comprei um assim, nos EUA é bastante comum encontrar nas lojas de artigos para casa e escritório. O meu já veio com as divisões dos dias da semana e um espaço lateral para uma to-do list. É bom porque as informações ficam bem visíveis – coloque num lugar que você sempre veja, como próximo do seu computador ou no seu home-office, se tiver um.

Aprenda a usar sua agenda. Depois de separar as tarefas na sua semana e organizar datas importantes no mês, anote em cada dia da agenda o que você tem que fazer. Novamente, você pode fazer isso uma vez na semana e ajustar quando necessário. Você não vai perder tempo fazendo isso; pelo contrário, vai economizar um tempo enorme.

 

  1. Cuidando da casa 

Procure não acumular Limpezatodas as suas tarefas domésticas em um só dia (normalmente, o povo adora separar um dia no fim de semana a cada quinzena para fazer A faxina, né). Você vai se desgastar, e acontece que fins de semana são muito bons para estudar e relaxar um pouco. Ao invés disso, experimente fazer um pouco todos os dias. Eu juro que não vai tomar mais do que uma hora sua, de segunda a quinta (deixando sexta como coringa e livrando os fins de semana)! E olhe que moro sozinha, tenho a casa toda para limpar sem ajuda! Vou dar o exemplo de como eu faço, e você poderá ver também na figura que vou postar mais abaixo com o meu calendário semanal.

 

 

Segunda-feira:  passo o aspirador na casa toda;

Terça-feira: lavo o banheiro OU limpo a sala (alternadamente entre as semanas: cada um de 15 em 15 dias)

Quarta-feira: limpo o quarto OU lavo a cozinha e lavo roupas (eu lavo roupas toda semana, mas tem quem prefira fazer quinzenalmente)

Quinta-feira: faço mercado (ainda estou testando qual a melhor frequência para mim, mas separei a quinta para isso de qualquer forma)

Sexta-feira: coringa, ou seja, um dia de folga para algo que por alguma razão não pôde ser feito durante a semana.

 

Você deve montar o seu cronograma de acordo com sua conveniência (veja o que lhe toma mais tempo e o que lhe toma menos tempo, quais os dias que você tem mais/menos compromissos fixos e vá encaixando). O importante é não sobrecarregar um dia só, pois a tendência é que você acabe acumulando tudo neste dia, e enquanto ele não chega, viva num ambiente que lhe é pouco aprazível, bagunçado e pouco limpo. Outra coisa: se sujou, limpe. Se usar, guarde. Não acumule. Esta é uma maneira de deixar a casa sempre arrumada, e isso é especialmente importante se você estuda em casa. Mesmo se não estuda, veja bem, você está longe de sua família, de sua casa no Brasil, etc, é muito importante se sentir em casa, se sentir acolhido em um lugar prazeroso, limpo e organizado. E isso também lhe dará uma sensação de eficiência e autoconfiança: é muito bom admirar o que você é capaz de fazer!

 

  1. A hora do almoço 

Se você almoça em ccookingasa, ou se faz sua comida para levar para o trabalho, é importante incorporar o momento de cozinhar na sua rotina. Viver de microondas tem limites! Vai chegar uma hora em que você estará sacrificando sua saúde por causa de uma praticidade que pode custar caro.

Eu tenho feito minha comida todos os dias. Além de ser mais econômico, é mais saudável e muito mais prazeroso. Se você não suporta cozinhar, tudo bem, vai ter que procurar outra saída. Mas para aqueles que gostam, ou mesmo os que gostariam de aprender, vou dar uma dica: eu não sabia cozinhar também, e estou aprendendo graças a um blog muito bom chamado Segredos de Tia Emília, que tem vídeos acompanhando cada receita, e uma seleção de maravilhosa de pratos do mais básico ao mais sofisticado. Fato é que não me custa mais de uma hora e meia por dia entre cozinhar, comer e lavar os pratos, e já incorporei isso ao meu calendário e à minha rotina.

Dica de ouro (ou rule of thumb, como falam aqui): planeje o que você vai comer durante umas duas semanas. Eu fiz um cardápio para duas semanas baseado nas minhas compras de mercado e no tempo de preparo de cada refeição (as mais demoradas, deixei para o fim de semana, por exemplo). Tem gente que prefere cozinhar tudo no domingo e esquentar durante a semana, mas eu testei e preferi como estou fazendo agora. A comida fica mais saborosa e cozinhar se torna mais prazeroso – para MIM – quando eu não acumulo tudo num dia só. Às vezes fico ansiosa pelo momento de preparar meu almoço! Hehehe. Seja como for, planejar o cardápio é importante para não perder tempo nem no mercado nem antes de cozinhar. Já deu pra ver que planejamento é a chave de tudo, né?

 

  1. Organizando os estudos 

Antes de qualquer cstudyingoisa, certifique-se de que você tem um canto organizado para estudar. Se mora sozinho ou seus roommates são tranquilos, pode ser uma boa ideia ter um home-office (eu tenho). Se trabalha muito tempo em laboratório, talvez não precise. Se sua casa for um local onde é difícil se concentrar por qualquer razão externa, use o seu escritório da faculdade ou alguma biblioteca onde se sinta confortável, mas acima de tudo, tenha um bom lugar para estudar!

Eis como faço:

Primeiro, eu vejo quanto tempo tenho disponível para estudar, por dia da semana. Ex.: 6h na segunda, 8h na terça, 5h na quarta etc.

Depois, eu localizo os deadlines de cada tarefa: seja uma leitura, um homework, o que for. Organizo por prioridade de acordo com os prazos de entrega e depois vejo quanto tempo vou gastar fazendo cada tarefa. Isto é muito importante. Por exemplo: se vou ler 200 páginas para dia X, vejo qual o tempo médio que gasto lendo uma página (se você é como eu e faz resumo, leve isso em consideração) e multiplico pelas 200. Dou uma margem de segurança e distribuo isso nos meus horários semanais. Digamos que eu gaste 4 minutos por página, então precisarei de 800 minutos, o que dá um total de aproximadamente 13h. Eu sei que tem muitas páginas de gráficos e tabelas e que o tempo que gastarei é menor, mas não os desconto, e também não desconto índice, capa, referências etc, o que já posso considerar minha margem de segurança. Ainda assim, aproximo para 14 ou 15h e divido este tempo no tempo de estudo que tenho por dia. Parece muito, mas se você dividir seus dias em horas, verá que na verdade tem muito tempo para estudar por dia. Este é o nosso trabalho aqui, afinal!

Duas dicas: uma contra o Facebook e Whatsapp e uma contra a procrastinação. Primeira coisa, deixe o celular longe de onde você está estudando. Se não conseguir (eu não consigo), coloque no silencioso e olhe apenas de vez em quando, em pequenas pausas de quarenta em quarenta minutos, por exemplo. Contra o Facebook, resolvi meu problema recentemente.  Claro que se você for menos viciado ou mais disciplinado que eu, pode apenas desligar a wi-fi se sua tarefa permitir ou simplesmente fechar a janela para não cair em tentação. Como eu sempre abro a maldita aba novamente, tive que tomar outra providência: comprei um Kindle. Eu coloco meus pdfs no Kindle, sento numa poltrona (minha melhor compra ever) longe do computador só com o Kindle e um caderno na mão. Não cansa minha vista, não tem Facebook e minha produtividade aumentou 100%.

Contra a procrastinação: é útil você, ao final do dia, separar 5 minutos para listar como aproveitou as horas do seu dia. Anote o que fez em cada hora e veja seu progresso. Esta dica eu tirei daquele livro que linkei lá em cima. Eu não faço isso porque não sou procrastinadora, apesar de ser facilmente distraída por influências externas, mas se você tem esta tendência, seja sincero consigo mesmo e faça isso. É melhor que se culpar, se desesperar, etc, ou seja, fazer o que não resultará em nada. Você pode buscar ferramentas para melhorar isto, então melhore.

 

  1. Atividades físicas em dia

Todo mundo conhece aworkoutquele velho clichê “corpo são, mente sã”. Manter o corpo saudável é essencial para a sobrevivência por aqui, especialmente em condições adversas. Ajuda você a manter a rotina, aumenta a concentração, diminui os níveis de estresse, equilibra os hormônios (especialmente para nós, mulheres), principalmente se você estiver meio que num regime celibatário forçado (tamo junto), dentre muitos outros benefícios. Inclusive, tem um livro muito bom sobre isso.

Por todas estas razões, eu trato atividade física como saúde e prioridade. Pode ser complicado continuar sendo rato de academia aqui, e provavelmente você não vai poder gastar o mesmo tempo que gastava no Brasil se gostava muito de malhar, ainda mais se você for homem e gostar de cultivar os músculos, hehe. Mas para quem encara a malhação como saúde, menos horas de dedicação diárias são necessárias e acho que dá para encaixar na rotina perfeitamente.

O que eu fiz: aqui a academia da universidade é top de linha e “de graça”, mas não tem instrutores. Bem, por opção pessoal, resolvi me matricular nas aulas que eles oferecem. Escolhi cerca de uma aula por dia para fazer e distribuí na minha agenda semanal (veja na figura no final do post), normalmente de manhã cedo, o que também é uma estratégia para me ajudar a acordar e para regular minha rotina. Acordar e almoçar sempre na mesma hora é bom para acostumar o corpo e criar hábitos que nos ajudam a manter o tempo e tarefas sob controle. Se você gosta de correr, corra. Eu não faço isso (ainda) porque aqui no Arizona é um inferno de quente esta época do ano, e se eu correr 5 minutos, terei que voltar para casa de ambulância. Enfim, faça algo de que gosta e separe um tempo na sua rotina como prioridade. Pode não ser todos os dias, veja o que melhor combina com seus objetivos e possibilidades, mas não deixe de fazer alguma coisa!

 

  1. Seu momento de higiene mental

Se eu disser que tenho este momengame of thronesto todos os dias, estarei mentindo. Mas eu estou tentando e quero chegar lá. Por enquanto, tenho conseguido mantê-lo na maioria dos meus dias. O que é isso? Um momento só seu, que pode ser de uma hora, mais ou menos (funciona pra mim) em que você faça algo que você goste que não esteja relacionado necessariamente com seu trabalho/pesquisa aí. Isso ajuda muito a você limpar a mente, renovar as energias e dormir melhor. Pode ser assistir a uma série de que você goste, falar com um amigo no Skype (não vou falar de whatsapp porque, sejamos sinceros, nós acabamos usando esta droga o dia inteiro, haha) ou simplesmente ficar zapeando canais em frente à TV. Eu não tenho TV e nem me faz falta, diga-se de passagem, mas eu costumo dedicar os minutos finais do meu dia a dançar alguma música loucamente na minha sala ler um livro, tomando um café em minha poltrona (Jesus, tô velha). Isso me faz muito bem! Por sinal, estou lendo um livro simplesmente fantástico, para quem se interessar. Até Game of Thrones retornar em abril, claro. Aí terei que dar um jeito de comprar uma TV… hehehe.

Mas, enfim, isso me ajuda a dormir, e cuidar do seu sono é fundamental nesta história toda. Se você sai do computador onde estava lendo 300 papers e vai imediatamente deitar, é provável que fique ainda ligado ao seu trabalho e não consiga dormir tão cedo – ou pior, sonhe com os malditos papers!

 

  1. Vida social

partyTá, primeira coisa, acabou a farra. Isso você já sacou, né? Mas também não precisa se isolar ou se privar de vida social, que isso só trará más consequências a médio e longo prazo. Não vai dar pra liberar todos os finais de semana em tempo integral, garantir a cerveja-nossa-de-toda-sexta, perder muitas noites nos finais de semana e muito menos viajar pelos quatro cantos sempre que rolar um feriado. Mas você pode sim fazer tudo isso, ainda que em menor intensidade. Ainda que tenha que juntar dinheiro e programar um adiantamento nos estudos com antecedência para viajar num determinado feriado ou fim de semana do mês, ou que só saia com os amigos nas noites de sábado e nas tardes de domingo, mas não abra mão da sua vida social! Ela é tão importante quanto todo o resto, ainda que seu orientador às vezes lhe faça acreditar no contrário (felizmente, o meu é do babado e gosta de uma farra de vez em quando, haha). Em semanas especialmente estressantes, se permita um pequeno break de umas duas horas e vá tomar um sorvete e colocar o papo em dia, por exemplo (vixe, falei igual a revista para adolescentes, agora). Algumas pequenas pausas na rotina são tão essenciais quanto a própria rotina, ao meu ver! O importante é planejar, e guardar algumas cartas na manga – ou seja, algumas folgas no cronograma para permitir estas pequenas escapadas ou outros imprevistos.

 

Meu cronograma

Então, como eu disse, aí vai o cronograma semanal que estou seguindo aqui, e que tem dado certo! Claro que já fiz muitos ajustes e continuarei fazendo sempre que achar necessário. A ideia é continuar melhorando sempre!

meu cronograma
Usei vermelho para as aulas da academia, amarelo para as aulas da universidade, verde para o tempo livre de estudo, lilás para as tarefas de casa e o azul para a hora do almoço (tentei manter igual todos os dias). Não incluí os finais de semana porque prefiro deixá-los livres para preparar de acordo com a demanda de cada semana – e do que surgir em termos de lazer!

 

É isso, gente. Para quem teve paciência de chegar até aqui, espero ter ajudado em alguma coisa. E aí, deu uma luz no assunto? Me dê seu feedback para eu saber se ajudei ou no que posso melhorar!

No mais, boa sorte a todos, KEEP CALM, sem desespero, que você CONSEGUE dar conta de tudo. Não se cobre demais, seja tolerante consigo mesmo, é tudo um aprendizado contínuo.  Qualquer coisa, grita… e até a próxima!

 

 

Passei em muitas: como escolher? Critérios na hora de escolher a universidade após a aprovação!

E aí Abroaders!

Então você fez tudo direitinho, passou por todas as etapas, pelas siglas LoR, SoP, GRE, TOEFL, etc… E ficou na expectativa dos resultados das universidades. A ansiedade aumenta e você já não dorme (não come e não f…er…, deixa pra lá), a tecla F5 do seu teclado já está gasta, você está com o thegradcafe aberto constantemente (explico sobre este site mais abaixo), e nada … been there bro.

Aqui vai a primeira dica: o site www.thegradcafe.com, para quem tem um espírito masoquista para quem quer acompanhar os resultados das universidades, é uma comunidade com estudantes que se inscreveram em grad schools, mais focado nos EUA e Canadá. A ideia principal do site é simples: cada um que recebe o resultado de sua inscrição vai até a comunidade e publica em qual curso e universidade foi aprovado, suas notas e outras informações. É bem interessante, e falaremos novamente sobre o gradcafe mais abaixo, pois ele possui ainda outras utilidades.


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Voltando ao assunto… Enfim chega o momento, nada no e-mail ainda, mas você observa no gradcafe que estão divulgando resultados de uma universidade que você se inscreveu, mas que coisa, que alegria, que emoção! Bom, além de esperar informações por e-mail, você deve checar o site da universidade, então, depois do log in, você tem uma notificação que a decisão foi tomada, enquanto espera o link abrir, o coração na boca……bomba, rejected.

É meu amiguinho, sensação devastadora. Não, não é o fim do mundo, mas foi tanto esforço, tanta espera, para nada. Você sabia que era a universidade mais difícil de entrar e você nem queria tanto, mas não importa, um rejected abala a confiança de qualquer um, e ninguém entenderá porque tanto drama, só quem passou por isso. Mas siga em frente que ainda tem bala na agulha.

Certo, agora a ansiedade chega a níveis master, mais duas semanas e nenhum outro resultado chega. Nas comunidades do Facebook já tem um monte de gente recebendo suas aprovações e você chupando o dedo. Indo direto ao assunto, tudo o que você quer neste momento é algum sim, qualquer um, nem precisa mais ser de sua top choice. Começa a fazer promessa de não checar o gradcafe e os sites das universidades por pelo menos um dia.

Agora seu telefone vibra (cada notificação será um mini ataque cardíaco), novo email – É DA UNIVERSIDADE – rapidamente abre e… aprovado!!!

https://www.youtube.com/watch?v=76QlNWVleC4

Nossa, você chora, pula, não acredita, ou nem consegue ficar feliz ainda pois a tensão foi tanta que você está meio emotionless, mas a ficha cai logo! Acabaram as preocupações certo? Claro! Passei! *confetes*

Aí, você já com mil planos, um dia depois chega novo email com nova aprovação!!! Explode coração! Agora você já está se sentindo o pica das galáxias! Nossa, opção de escolha, que máximo. Tá, e agora, como escolher? Drama queen… Mas as coisas ainda podem se complicar mais (mas convenhamos, não é uma complicação tão ruim), você pode ter um prazo para aceitar uma oferta de admissão, e este prazo vencer ainda antes de você conhecer o resultado das outras que você se inscreveu (isto sim é complicado).

Bom, vamos lá, chega de historinhas, se você se encaixa em alguma destas situações este post apresenta algumas coisas que podem te ajudar na prática a escolher onde você vai passar os seus próximos 4 anos. A principal de todas é feita bem antes, quando você escolhe para quais universidades você vai se inscrever.

É claro que neste momento já sabemos que o principal nesta escolha é o programa em si, um bom encaixe acadêmico com sua linha de pesquisa e um bom contato com um possível orientador. E muitas vezes é apenas isto que olhamos quando decidimos aonde aplicar. Fazemos nossa listinha das top 5, tudo bonitinho. Mas as coisas podem mudar muito durante o longo período de espera. O contato com um orientador ficou excelente e outra universidade virou top, ou um orientador sumiu do mapa, ou o departamento ofereceu grana extra, nossa, muita coisa pode mudar desde que você fez aquela lista. Mas no fim das contas, se tudo estiver meio empatado, você pode levar em consideração: como é a cidade, o clima, as pessoas, o custo de vida, estilo de vida, etc. Parece bobagem agora né, mas serão quatro anos, e para quem vai com dependentes então, os pesos mudam.

Por isto que uma boa pesquisa inicial vai ajudar muito. Pode ter casos em que, depois de ter passado na universidade você resolve pesquisar sobre a cidade, e alguma coisa muito fora das suas características te faz pensar: eu não quero morar ai por tanto tempo. Bom, se você tivesse visto isto antes te pouparia uma inscrição e muito trabalho.

O que vai acontecer neste momento de escolha é uma verdadeira competição entre suas opções, e para ajudar você pode criar critérios de aspectos que você considera importante e dar notas, o peso de cada conceito vai variar de acordo com suas prioridades. Alguns critérios que acredito que podem ajudar:

Melhor encaixe de seus interesses com o programa;

Corpo docente / relação com possível orientador;

Oferta de renda extra, como bolsas de RA/TA;

Ranking da Universidade (questionável, mas em algum nível pode te ajudar a aceitar alguma escolha, eu colocaria um peso mais baixo em detrimento aos anteriores);

Estilo da Cidade;

Custo de vida;

Opções de moradia;

Coisas para fazer;

Mobilidade, caminhabilidade;

Segurança …

A lista de fatores a se considerar na cidade é grande e, novamente, vai variar de pessoa para pessoa. Uma coisa é fato, se você pretende ir com dependentes (cônjuge, filhos), a cidade irá pesar bastante na sua escolha.

Então vamos lá, quanto aos primeiros itens não tem muito segredo, o post sobre achar universidades do Abroaders já ajuda nisto. Considere também o Monthly Maintenance Rates (MMR), que é o valor mínimo exigido (para fins de encaminhamento do processo de visto) para a sua cidade/região, e o quanto você receberá de bolsa, se ficar abaixo no valor mínimo você será obrigado a complementar. Uma boa estratégia é abrir o jogo com seu possível orientador, às vezes eles conseguem alguma coisa para você. Mas cuidado para não sair pedindo dinheiro para todas, mesmo naquelas que você não tem muita intenção de ir, pois já pensou, conseguem tudo o que você pediu e ainda assim você declina…Acontece, mas nunca é muito bom; deixe para usar o funding game para aquelas que você tem real intenção de ir.

Agora quanto à cidade tem duas dicas muito importantes, que podem ser usadas durante todo o processo: O City-data e o TheGradCafe.

O GradCafe além de ser uma ótima ferramenta para acompanhamento dos resultados, possui um fórum com foco em grad schools, excelente mesmo. Recomendo explorar as várias seções, mas referente ao nosso dilema, é o cityguide que irá trazer algumas respostas. As diferentes seções ficam mais ou menos ativas ao longo do ano. Praticamente todas as cidades que possuem grandes universidades tem um tópico próprio. Leia bem sobre a cidade, poste perguntas, mas principalmente, identifique membros com mais conhecimento dos locais e entre em contato diretamente por mensagem.

 

Agora, eu não consigo recomendar suficientemente o City-Data, é O site para buscar informações de cidades americanas.

citydata

 

Na primeira parte, você insere o nome da cidade e faz a busca. A quantidade de informações que retorna é ridícula, tem tudo, dados censitários, clima, economia, mapas interativos, criminalidade, orientação política (!), lista de estabelecimentos comerciais, e muuuuuito mais coisas. É realmente incrível, perca invista seu tempo com boas leituras e comparações neste site.

Mas você acha que um monte de dados é muito superficial, você é mais quali do que quanti? Sem problemas, entre no fórum do site, aí a brincadeira fica boa. Por experiência própria, o pessoal deste site é muito prestativo. Existem várias seções, por estados, cidades, sempre vai ter algo que você procura. Se não houver, poste sua dúvida, tenho certeza que logo terá respostas. Os americanos são, em geral, mais acostumados a se mudar ao longo da vida, e este site tem sido muito utilizado como fonte de informação. Aqui é importante para você descobrir o “estilo de vida da cidade”, descreva um pouco o que você busca ou pergunte especificamente, por exemplo, se a cidade tem um estilo mais urbano, com pessoas caminhando na rua até mais tarde, comércio vasto e aberto; ou uma cidade mais tranquila, aonde todos se conhecem e são amigáveis com estrangeiros.

Isto tudo é ainda mais importante com dependentes. Imagine você estudando como um maluco no seu PhD, seu cônjuge ainda não pode trabalhar (lembre que o visto J2 até permite trabalhar, mas a autorização demora), e talvez não tenha achado nada para estudar ainda. Como será a qualidade de vida da família? Querem um lugar mais afastado, ou preferem um lugar aonde possam fazer mais amigos, sair na rua e encontrar pessoas. Filhos? Como são as escolas, a vizinhança, o espírito de comunidade. É queridos amigos, percebem como analisar bem isto tudo ainda no início vai facilitar sua vida?

Outros sites de busca de moradias ajudam a dar uma ideia de como é a oferta e a tipologia das habitações disponíveis nas cidades, para listar alguns: Trulia, HotPads, PadMapper, Rent, Walkscore, são alguns exemplos.

E claro, nunca esquecer dos básicos, como o Google Street View e o YouTube. Dar uma passeada pela cidade com o street view pode dar uma visão completamente diferente dos tradicionais mapas. Mas são imagens estáticas, então um bom vídeo amador no YouTube pode ajudar muito. É muito comum encontrar reviews feitos por estudantes turistas ou moradores, em vídeos com os termos driving in…, how is life at…, getting to know…, etc., e a cidade que você quer conhecer.

A última dica que deixo aqui é tentar ao máximo um contato direto com estudantes da universidade que você vai, e melhor ainda se for do mesmo programa. Normalmente se você pedir a alguém do departamento, eles fornecem o contato de algum estudante disposto a ajudar. Pergunte tudo, como é a vida lá, o que fazem nos fins de semana, como é o ritmo de estudos, opções de moradia, e muito mais, pergunte mesmo. Muitas vezes eles irão sugerir um Skype call para facilitar.

Ah, lembra aquela situação em que você tem um prazo para aceitar ou não uma oferta que irá vencer antes mesmo de você conhecer todos os resultados? Uma alternativa é simplesmente pedir mais prazo. Seja honesto e diga por que você precisa de mais tempo, seja porque você precisa conseguir mais dinheiro para atingir o MMR, ou porque você ainda está esperando outros resultados para poder tomar uma decisão mais consciente. Acredite, este tipo de situação é comum e natural para eles, dificilmente você não conseguirá mais algum tempo. Mas fique ciente que nem sempre será suficiente, pois tem programa que solta resultado em fevereiro e outros só em maio, por exemplo, conseguir segurar a oferta aberta será um desafio nestes casos.

Bom, a intenção deste post era mais de preparar você para o que pode vir, garanto que se muito deste trabalho for feito antes mesmo de definir as suas opções para aplicação, o processo de escolha será muito mais fácil no final.

É isso aí, tome notas de todos os fatores que você acha importante, atribua pesos e valores, inclua sua família e amigos (muitas vezes simplesmente falar do que você gosta ou não gosta de cada opção para alguém irá clarear e muito sua mente), compare tudo e seja feliz! Afinal, você teve opções!

Depois virá a parte chata de avisar àquele professor super querido, que sempre te apoiou, que infelizmente você escolheu outro programa… doí viu, mas isto é assunto para outro post!

E aí, alguma dica de onde buscar informações para ajudar na escolha? Compartilhe conosco nos comentários.

E-book: GRE Detonado!!! Todas as dicas para você vencer este chefão!

Boa noite, #teamAbroaders!!!

Vamos falar sobre GRE?? É um daqueles exames necessários que você tem que fazer para conseguir sua pós-graduação em alguns países (como os EUA, por exemplo). É bastante importante e pode ser o seu pior pesadelo ou um excelente critério de desempate – ao seu favor! Tudo depende de como você se prepara para ele.

Quer saber mais?

Temos um e-book saindo do forno para vocês!!

Baixe o GRE Detonado clicando na imagem acima!
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Curriculum Vitae (CV): Como prepará-lo para a pós no exterior

O CV (curriculum vitae) é um documento obrigatório e fundamental para qualquer aplicação para estudar em universidades do exterior, seja na graduação, mestrado ou doutorado. Ele traz uma visão geral das principais qualificações e experiências do candidato, tanto a nível profissional quanto acadêmico. É usado pelos avaliadores para fazer uma triagem inicial dos inscritos, a fim de decidir quais das milhares de candidaturas merecem uma análise mais detalhada.

Ah, mas eu já sei fazer currículo faz tempo, já mandei para inúmeras empresas e me rendeu boas entrevistas…

Cuidado! Mesmo que você já tenha bastante experiência com CV’s, é importante que você leia esse post por dois motivos principais:

  1. Estamos falando de um currículo acadêmico, e não profissional (o texto será direcionado mais para o PhD, mas vários pontos são aplicáveis a diferentes contextos). O foco é outro.
  2. O documento será enviado para uma instituição no exterior, que tem outra cultura de formatação e conteúdo. Aqui, nos basearemos no caso dos EUA, portanto lembrem-se de checar eventuais mudanças de requerimentos em outros países, mesmo que também sejam de língua oficial inglesa.

Que tal se eu pegar meu Currículo Lattes e jogar no Google Tradutor?

Pelamordedeus, não! Para quem não sabe: o currículo lattes é um CV acadêmico obtido por meio de uma plataforma online horrível que vive dando pau do CNPq, que depois gera um texto feioso no formato .rtf. Você realmente vai precisar disso para se candidatar à bolsa do Ciência sem Fronteiras , por exemplo (caso não tenha ainda, pode começar a ir preenchendo online), mas ele é bastante detalhado e complexo, e não é o mesmo arquivo que você vai utilizar nas aplicações específicas de cada universidade.

O mesmo vale para CV’s de sites como Catho, Vagas.com ou LinkedIN. Esses, além de geralmente terem foco mais profissional, contêm demasiadas informações que não são de interesse para o comitê universitário que irá avaliar sua candidatura. De qualquer forma, mesmo que você tenha de fato um currículo pequeno e sucinto feito no Word, não é interessante traduzi-lo (nem no Google Tradutor, nem por conta), mas sim escrever um novo, do zero, em inglês.

Comece do zero - e em inglês!
Comece do zero – e em inglês!

Nossa, como faz?

Inicialmente, lembre-se que o currículo é um resumo (tanto que um sinônimo em inglês é résumé – emprestado do francês), ou seja: você precisa ser o mais breve, claro e objetivo o possível. Tipicamente, o CV deve ter entre 2 e 4 páginas: mais que isso pode se tornar longo, chato e confuso – um prato cheio para encher o saco do avaliador e eliminar um candidato. Lembrem-se: aqui não é lugar para contar histórias, apresentar opiniões, sentimentos, críticas ou julgamentos (guarde essas coisas para o statement of purpose – em breve, no Abroaders).

Regras gerais de formatação: Utilize fontes básicas, como Times New Roman, Arial ou Calibri (nada de Comic Sans, hein? – e isso também vale pra vida!). Tamanho de 10 a 12 (eu costumo utilizar 12 para os títulos das seções e 11 para o texto) e espaçamento simples. Não empregue sublinhado, tachado e efeitos de texto como sombreamento e realce. Evite fontes coloridas e use negrito e itálico com parcimônia. Se quiser (e couber), pode pular uma linha entre cada item, para não ficar muito espremido. Em geral, não há nenhum padrão particular sobre margens. Algumas universidades podem ter requerimentos específicos de formato e número de páginas/caracteres/palavras (você pode fazer uma estimativa aqui), é importante sempre verificar direito.

Importante: nos EUA, o padrão oficial de página é o letter size (carta), que é ligeiramente menor que o A4 – você tem que lembrar de configurar a página corretamente no Word. Eles também costumam alinhar o texto à esquerda (e não justificado) e não dão recuo de parágrafo (tab), por mais estranho e feio que isso possa parecer. Outra diferença: o CV deve ter numeração de página (sem formato específico).

O currículo deve conter apenas texto; ou seja, sem figuras, gráficos, diagramas, tabelas, caixas de texto, linhas, auto-shapes, símbolos, etc. Nada de foto do candidato! E o arquivo não é uma carta, então não coloque data atual, saudações, despedidas ou assinaturas. O conteúdo será estruturado na forma de tópicos, divididos em seções que serão exploradas na sequência. Antes; algumas regras e observações gerais:

  • Liste cada informação relevante em um tópico, podendo utilizar marcadores (como esses “bullet points” que estou empregando agora), em ordem cronológica reversa dentro de cada seção. Sempre que aplicável, inclua local e data (mês e ano de início e término). Caso seja algo em curso, sinalize – exemplo: “March 2013 – present“.
  • Para descrever suas atribuições e atividades, use apenas fragmentos de frases no lugar de orações completas, empregando “action verbs no passado simples, tais como: achieved, produced, taught, participated, coordinated, performed, managed, reviewed, conducted, presented, employed, planned, created, developed, searched, studied, analyzed, projected, designed, built, entre outros. Se for algo atual, use o tempo presente.
  • Não utilize pronomes, sobretudo os pessoais, como Iyou. Evite também contrações, como can’t it’s.
  • Quando colocar uma sigla ou abreviação que não seja de uso comum, explique o seu significado. Exemplo: LASPAU (Academic and Professional Programs for the Americas – que aliás não tem mais nada a ver com a sigla, mas tudo bem).
  • Não traduza nomes de universidades, empresas e cidades! Exemplo: “Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)”, e não “State University of Campinas” (sim, é para deixar em português mesmo!).
  • Em geral, as aplicações online vão requerer os arquivos nos formatos .doc, .docx ou .pdf. Algumas, entretanto, podem pedir para que você copie e cole (ou escreva) o texto direto num campo específico de formulário. Nesses casos, é interessante evitar caracteres que não existem na língua inglesa (como à, ê, í, õ, ü, ç), que podem desconfigurar.

Antes das seções propriamente ditas, você pode listar alguns dados pessoais logo abaixo do seu nome, tais como nacionalidade, telefone (lembre-se de incluir o código internacional do Brasil: +55) e e-mail. Não há necessidade de incluir endereço (mesmo que tenha um no exterior). Não ponha no seu CV informações como idade, profissão, gênero, data de nascimento e estado civil, pois isso aqui não é ficha para participar do Big Brother você terá campos específicos para preencher esses dados nos formulários das aplicações online. Também não se deve colocar números de documentos como passaporte, RG, CPF e conselhos de ordem profissional (CREA, OAB, CRM, etc). Evite fornecer seu perfil em redes sociais porque você não vai querer seu orientador fuçando no seu facebook, a não ser que isso seja relevante para a sua profissão (como para quem trabalha com marketing, por exemplo). Pode-se incluir, entretanto, blogs e outras publicações eletrônicas relacionadas ao tema da pós-graduação.

O currículo não terá uma categoria de “Objetivos” – já que aqui ele é apenas um e óbvio: cursar um PhD na universidade de escolha. Seguem as principais seções que devem ser contempladas, nesta ordem (perceba o foco acadêmico):

  • Educational Experience: liste, do mais recente (ou atual) ao mais antigo, cada título e grau relevante obtido, indicando nome da universidade, local e data. Não inclua ensino médio e fundamental e jardim de infância (a não ser ensino técnico relacionado à área pretendida). Inclua cursos em andamento, mas não cursos incompletos (desistências). Lembrem-se que cada título aqui listado terá que ser comprovado futuramente por apresentação de diploma (ou certificado de conclusão) e histórico escolar. Você pode incluir o título de sua tese, dissertação, monografia ou TCC (em inglês!). Não é obrigatório, para alunos estrangeiros, indicar notas (nem mesmo o GPA), mas podem-se inserir prêmios e reconhecimentos por bom desempenho escolar.

Nota sobre alguns termos: graduation é o baile de formatura! O que nós chamamos de graduação é undergraduate degree em inglês. Graduate degree seria a nossa pós-graduação (e postgraduate, algo como o pós-doutorado). O melhor é indicar o nome do título mesmo, como bachelor, licenciate, master, specialist, etc. Entenda melhor a terminologia neste post.

  • Additional Coursework: liste, de forma análoga ao anterior, cursos extras (que não conferem título ou grau, como cursos livres, extensões, seminários, etc.) relevantes para a área pretendida.
  • Scholarships and Awards: indique bolsas e prêmios (seja em dinheiro, brindes ou simbólicos) recebidos ao longo de sua trajetória acadêmica e profissional, desde que tenham relevância, explicitando o nome da bolsa, a instituição concedente e o motivo. Pode-se incluir auxílios e financiamentos a projetos de pesquisa (como iniciações científicas), patrocínios de empresas, programas de monitoria, competições e concursos, intercâmbios, reconhecimentos diversos, show do milhão, entre outros.

Atenção: apenas insira sua bolsa do Ciência sem Fronteiras se a mesma já estiver sido concedida! Mas caso você tenha sido pré-selecionado por alguma instituição parceira (como a LASPAU), você pode incluir isso no currículo.

  • Professional Experience: liste, do mais recente (ou atual) ao mais antigo, cada emprego ocupado na área pretendida, indicando nome e localidade da empresa, datas de início e fim, título e uma breve descrição do cargo ocupado (principais responsabilidades e atividades desenvolvidas – lembre-se de utilizar frases curtas, sem pronomes e com action verbs). Inclua – caso aplicável – estágios (remunerados ou não), negócios próprios e atuações como autônomo e freelancer.
  • Research Experience / Teaching Experience: liste, de maneira semelhante, cada experiência relevante obtida em atividades de pesquisa e/ou ensino, indicando o nome dos projetos. Você pode fazer duas seções separadas ou apenas uma, ou ainda incluir essas informações dentro da própria experiência profissional, para evitar a repetição. Lembre-se que aqui o foco é nas atividades desenvolvidas, e não nas eventuais bolsas, que devem vir em separado na seção específica indicada anteriormente.
  • Publications: liste as publicações relevantes feitas em periódicos ou congressos, nas quais você é o autor (ou um dos autores principais). O título da publicação deve vir em inglês, podendo ser apresentado também no idioma original entre parênteses. Entretanto, os nomes do periódico e da instituição devem vir em português mesmo e, se possível, acompanhado do número do volume e das páginas. Inclua nessa seção não apenas artigos, resenhas e matérias, mas também manifestos, capítulos de livros, pôsteres apresentados em congressos e simpósios, produções artísticas e culturais, aquela escultura de argila que você fez para o dia das mães em 1994, etc.
  • Skills: liste outras habilidades e técnicas importantes, tais como idiomas (sim, português inclusive) e informática, indicando grau de proficiência. Pode incluir linguagens de programação e softwares como os do Microsoft Office; ferramentas de desenho; sistemas de organização e gestão empresarial; softwares de produção, tratamento e edição de imagens, vídeos e sons etc. Evite coisas muito básicas e vagas, como “windows e internet”. E nada de escrever coisas como: “proatividade, espírito de líder, criativo, trabalha bem em equipe” etc.

“Nossa, mas eu não tenho publicação, não tenho experiência acadêmica, não tenho nenhuma habilidade nada disso!” Calma, não se aflija: as universidades entendem que muitos dos candidatos são recém-saídos da graduação e não tiveram tempo para já apresentarem um CV excepcional. Na verdade, a única seção realmente obrigatória dessas acima é a primeira (já que você precisa ter no mínimo um curso superior para se inscrever). A missão de convencer que eles devem te admitir mesmo assim vai ficar para o SoP, que será tema de um post na próxima semana. Enquanto isso, para encher linguiça e atingir pelo menos duas páginas de currículo, você pode adicionar outras seções opcionais:

  • Professional Affiliations / Community Organizations / Volunteer Activities / Events: você pode incluir no seu currículo qualquer outra experiência relevante, principalmente aquelas que demonstram habilidades como liderança (em vez de simplesmente citar que tem isso na seção skills). Isso inclui participação de grupos acadêmicos como empresa júnior, grêmio estudantil, centro acadêmico, associação atlética, grupos de estudos, representação discente, AIESEC e outros. Também pode inserir trabalhos voluntários (de cunho social ou não), organização de eventos universitários, participação em intercâmbios, ONG’s e outras organizações comunitárias. Só cuidado para se ater a experiências que realmente agreguem algo em seu CV e não ficar listando centenas de atividades só para dar “mais corpo” ao arquivo.

Parece difícil hein? Não tem uns prontos aí para dar uma luz?

Mas é claro, jovem! Já pensamos nisso. Veja aqui alguns exemplos de currículos bem-sucedidos para lhe inspirar e ajudar a elaborar o seu próprio. Abroaders é amor.

Por fim, uma última dica: assim que terminar, passe um corretor ortográfico, leia de novo algumas vezes e peça para algum falante nativo dar uma lida – não só para corrigir a gramática, mas também o estilo, para tentar deixar o texto o mais natural possível. Tome muito cuidado com o Google Tradutor, prefira alguns sites que traduzem expressões em contextos específicos, como o Linguee. Em caso de dúvida sobre algum termo específico da área, melhor consultar um especialista.

 

 

Pedro Menchik é colaborador do Abroaders e escreve regularmente no seu próprio blog Alimentando a Discussão, onde trata sobre polêmicas e curiosidades envolvendo os alimentos. 

PhD nos EUA: Existe vida durante o doutorado?

Hello, Gafanhotos!

Hoje temos um post especial. Nós, os Abroaders, estamos working hard para tirar suas dúvidas sobre as candidaturas para uma pós no exterior, MAS ainda não estamos lá! E, afinal, eu quero, tu queres, todos querem saber como é de fato estar lá estudando, fazendo o que você tanto está ralando para fazer. E se não for nada disso que estamos esperando?? :O [pensando bem, fale a verdade, você nem sabe direito o que esperar, não é mesmo?]

Pensando nisso,  entrevistamos a Gisele Ribeiro, PhD student de Geotechnical Engineering da Columbia University (NY). Isso mesmo, muito loosho. A Gisele é conhecida pela sua prestatividade  nos grupos do Facebook destinados ao edital de 2013 do Ciência Sem Fronteiras. Suas dicas inspiraram os Abroaders a fazer o mesmo nos grupos do ano seguinte, e finalmente a fazer este site! Ela esteve no seu lugar, no nosso lugar, e agora está vivendo o que por enquanto só está nos nossos sonhos [diários, eu garanto]. Vamos à entrevista??

Gisele e seu marido, no campus da Columbia University (NY). Ela merece!
Gisele e seu marido, no campus da Columbia University (NY). Ela merece!

A: Como você estruturou o seu Statement of Purpose (SoP) e quais dicas você daria àqueles que ainda não escreveram o documento?

G: Na minha opinião, o Statement of Purpose (SoP) é o documento mais importante na aplicação pro doutorado nos EUA. O motivo é muito simples: este é o documento onde você pode “vender seu peixe” pra quem for ler e cabe a você redigi-lo da maneira mais convincente possível. Documentos como histórico escolar, diploma e currículo são apenas transcrições de atividades já encerradas e não abrem espaço pra mostrar sua personalidade e suas qualidades. No meu SoP, inicialmente eu me apresentei e mostrei um pouco da minha área de estudo e quais foram meus trabalhos finais de curso e de mestrado. Mas no decorrer do meu SoP eu busquei mostrar minhas qualidades que foram desenvolvidas durante certas situações já vividas. Por exemplo, eu citei minha jornada de vestibular. Na época, eu fiz vários vestubulares (inclusive militares) e cheguei a morar 1 ano em outra cidade pra me preparar melhor. Eu quis mostrar como eu me dediquei e trabalhei duro pra conquistar meus objetivos. E ainda mostrei que, com isso, eu me tornei uma pessoa muito mais focada e disciplinada, em termos de estudos. Ou seja, o importante é você mostrar suas qualidades/características que são importantes pra realizar um doutorado fora do país, mas ao mesmo tempo, tentar relacioná-las com alguma história de vida sua, mostrando sua personalidade. Por último, eu concluí com um parágrafo de expectativas/planos em relação ao futuro depois do doutorado. No final das contas, meu SoP teve apenas uma introdução da minha área acadêmica e o desenvolvimento foi baseado em experiências vividas (pessoais ou profissionais) pra mostrar um pouco da minha personalidade.

O importante não é apenas contar uma história, mas sim saber contá-la pra tirar máximo proveito dos seus pontos positivos.

Ficou curioso sobre a SoP da Gisele?? Ela muito gentilmente disponibilizou o documento na íntegra! VEJA

 

A: Sobre as suas notas nos exames requeridos (TOEFL e GRE), o que você acha que fez a diferença para ser selecionada em uma universidade de excelência?

G: Eu não acho que o TOEFL ou o GRE tiveram um papel fundamental nas minhas aprovações. Na prova do GRE, principalmente pra quem é da área de engenharia (meu caso), acredito que é importante você dar mais atenção ao Quantitative Reasoning (acima de 160 pontos já é uma boa pontuação). Talvez isso tenha me ajudado (ou não tenha me atrapalhado) nas minhas aprovações.

A: O nível das disciplinas nos EUA é muito diferente do nível brasileiro?

G: Aqui nos EUA o conceito das aulas é bem diferente do Brasil. A carga horária de aulas por semana é mínima (no meu caso, 1 aula de 2h30 por semana) e espera-se que o aluno absorva grande parte do conteúdo estudando em casa e fazendo os exercícios que os professores pedem (deveres de casa, projetos, artigos, etc). Ou seja, o processo de aprendizagem é muito mais “auto-didata” aqui nos EUA, enquanto que no Brasil as aulas são mais lapidadas, exigindo menos esforço do aluno pra compreender o conteúdo. Não sei se dá pra comparar o “nível” das disciplinas entre os 2 países, mas definitivamente, você terá muito mais trabalho e terá que estudar MUITO mais nos EUA.  

A: Mesmo com a proficiência do inglês comprovada, você teve alguma dificuldade em acompanhar as aulas?

G: Quando eu me mudei aqui pra NY, no dia seguinte eu já estava indo pra minha primeira aula, ou seja, não tive muito tempo de me adaptar com o inglês antes. Além disso, especificamente aqui em NY, existem pessoas de TODO lugar do mundo, o que dificulta um pouco mais pra entender o inglês de cada indivíduo. Ex: o inglês de um chinês é diferente do inglês de um indiano, que é diferente do inglês de um coreano, europeu, africano, sul-americano, e por aí vai. Eu demorei um pouco (umas 2 semanas) pra me acostumar com as aulas (principalmente com um professor chinês, que foi o que eu tive a primeira aula). Mas logo na terceira semana as coisas começaram a fluir mais naturalmente. Outra dificuldade que eu tive com o inglês foi em relação a alguns termos técnicos da minha área que eu não era familiarizada. Fiz uma matéria onde eu tinha que anotar as palavras que eu nunca tinha escutado antes pra depois procurar num dicionário inglês/português específico da minha área. Mas depois das primeiras semanas eu também acabei me acostumando.

A: Como tem sido sua rotina de estudos/trabalho? Como são os horários na faculdade e o tempo de estudo em casa? Existem finais de semana e, quem sabe, férias… ou ficaremos presos em masmorras estudando e pesquisando?

G: Meu primeiro semestre (Fall 2013) foi muito INTENSO, afinal era tudo muito diferente do Brasil. Inicialmente, tive dificuldades de adaptação em relação à universidade e ao ritmo de estudos. Como eu já disse, a carga horária de aulas é pequena. Fiz 4 matérias no primeiro semestre (12 créditos no total, que é o mínimo pra ser considerado full-time student), cada uma delas tinha apenas 1 aula por semana com duração de 2h30. Mas em compensação, minha carga horária de estudos em casa era sem limites. Eu estudava TODOS os dias, praticamente o dia inteiro. Eu até queria fazer alguma atividade extra (tênis, por exemplo), mas foi impossível. No segundo semestre agora a carga de estudos continua grande, mas eu já tenho uma noção de como as coisas funcionam. Ou seja, continua intenso, mas eu me acostumei e aprendi a lidar melhor com essa situação. Eu também dei início à pesquisa nesse semestre (estou trabalhando num grupo de pesquisa como RA = research assistant) e estou aprendendo a conciliar essa parte com os estudos.

O início pode ser complicado, mas o tempo é sem dúvidas nosso melhor amigo nessa jornada.

Quanto às férias, estou indo pro Brasil agora no final de maio. Antes disso, eu usei alguns feriados (Thanksgiving, Natal) e os breaks (fall e spring breaks) pra espairecer e viajar um pouco por aqui. [Elas existem, afinal!!]

A: Escolheu viver on campus ou off campus? Por quê?

G: Escolhi morar off campus por dois motivos: primeiro porque meu marido já morava aqui em Brooklyn antes e segundo porque o preço é bem mais acessível fora de Manhattan. O transporte público aqui em NYC funciona super bem, então não tenho problemas para me deslocar até a universidade, mesmo que eu leve 1h pra chegar lá de metrô.

A: É realmente possível viver tranquilamente com a bolsa da CAPES? Você já precisou usar o plano de saúde?

G: No meu caso, meu marido já morava e trabalhava aqui em NY antes de eu me mudar pra cá, então até que consigo viver tranquilamente com a bolsa da CAPES. Mas se não fosse por isso, o aluguel aqui em NY é bem caro e acredito que a bolsa cobriria no máximo os gastos básicos de moradia, comida e transporte. Depende muito da cidade para onde você vai. O plano de saúde pra estudantes aqui na Columbia University é da AETNA. É um plano bom que cobre as necessidades básicas. Eu já utilizei aqui 2 vezes (em um hospital fora da universidade) e paguei só 30 dólares de co-payment pra uma clínica onde fiz exames. O maior problema é o fato de não cobrir consultas odontológicas. E dentista é algo caro aqui nos EUA. Fora isso, até agora deu tudo certo.    

A: Quanto tempo demorou pra sair o seu visto? Que dia a LASPAU lhe enviou o DS-2019* ?

G: Meu visto/passaporte demorou 5 dias pra chegar na minha casa em Brasília, depois de ser aprovado na entrevista no consulado. O meu DS-2019 foi enviado pela LASPAU por email no dia 02 de julho e no dia 08 de julho eu o recebi por correio (que é o que importa). A versão escaneada recebida por email não pode ser utilizada pra levar pra entrevista do visto, apenas a versão original do documento é válida. Por isso, é importante marcar a entrevista no consulado quando você já estiver com o DS-2019 EM MÃOS.

*NOTA DOS ABROADERS: O DS-2019 é um documento enviado pela LASPAU para você, sem o qual não é possível solicitar o agendamento de uma entrevista na embaixada para retirar o visto.  

A: Qual opção você escolheu pra gerir suas finanças? A CAPES sugere/exige alguma?

G: A CAPES envia um cartão BB Americas pra TODOS os bolsistas de doutorado pleno nos EUA. É assim que funciona. Você terá uma conta no BB Americas e a CAPES irá depositar os pagamentos da sua bolsa APENAS neste cartão. Não tem como mudar isso. O que você pode fazer (quase todos os bolsistas aqui fizeram) é abrir outra conta em um banco americano qualquer e transferir sempre o dinheiro do BB Americas pro seu banco americano. A transferência é rápida, sem taxas, e sem limites diários (tem apenas um limite de $2.000,00 por transação, mas você pode realizar várias transações num mesmo dia). Ou seja, super tranquilo.

A: Você precisou modificar o plano que enviou para a CAPES? Como foi esse procedimento?

G: A renovação da bolsa da CAPES acontece de ano em ano. Eu estou renovando a minha bolsa agora (tenho até final de maio pra enviar os documentos). Nessa renovação, você pode modificar seu plano de estudos escrevendo outro (acredito que pode ser mais simples do que o primeiro que fizemos). No meu caso, provavelmente terei que modificar, mas parece que não tem muito mistério não. O pedido de renovação é feito através do site da CAPES (http://sacexterior.capes.gov.br/sacexterior/) em Formulários Online. Alguns dos documentos que devemos enviar são: avaliação do orientador, cronograma de estudos, histórico escolar, relatório acadêmico.

A: Como está sendo a adaptação ao PhD até agora?

G: Eu diria que o primero semestre é o mais difícil em todos os sentidos. Eu nao conhecia ninguém e tive que me virar em tudo sozinha. Eu via que tinham muitos grupos (de chineses, indianos, americanos, etc) nas aulas de engenharia aqui. Foi difícil quebrar um pouco essa “segregação”, mas o que me ajudou muito a me inserir mais na universidade foi o meu grupo de pesquisas que tem 12 pessoas (9 são chineses, contando com meu professor).

Acho importante essa inserção dos alunos na universidade de algum modo. Minha dica é: tente conhecer pessoas e fazer amizades seja participando de um grupo social ou de pesquisa, seja fazendo algum tipo de atividade. Enfim, acho importante ter alguém pra conversar, tirar dúvidas, pedir ajuda, discutir sobre pesquisa em geral, etc. Isso pode ajudar muito na sua adaptação.

Hoje, eu já estou mais envolvida com a pesquisa, além das disciplinas. Aqui nos EUA, a pesquisa na universidade é muito valorizada. Geralmente, os projetos são apoiados financeiramente por empresas que investem pesado mesmo. Isso é super motivador! Acho importante essa conexão entre universidade e indústria (principalmente na área de engenharia).  

A: Que principal conselho você daria a quem está enfrentando esta jornada agora: tanto aos que já estão fazendo as malas como aos que estão iniciando suas candidaturas?

G: Aos que estão iniciando o processo agora, a caminhada é longa, cheia de obstáculos, mas tenha fé e muita paciência, acredite no seu potencial até o fim e não tenha medo de ousar nas suas escolhas. É possível pra TODOS! E pra quem já está na jornada, o conselho que eu dou é que tenham muita persistência e preparem-se (em todos os sentidos) pra virem pra cá! O choque é grande, mas além de toda a experiência acadêmica/profissional, a experiência de vida e o seu crescimento como indivíduo são impagáveis! Vale a pena!